SOS Racismo denuncia "xenofobia" nos realojamentos

18 de julho 2010 - 13:47

A disputa entre as autarquias da Amadora e Sintra sobre o realojamento de 19 famílias revela "atitudes xenófobas" dos executivos, diz a associação antiracista.

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Câmara da Amadora comprou casas em Sintra para os realojados das obras da CRIL. Foto Paulete Matos

As famílias em causa residiam nos terrenos onde vai passar a estrada da CRIL e coube à Câmara da Amadora proceder ao realojamento. Mas a autarquia liderada por Joaquim Raposo, em vez de colocar as pessoas em locais próximos do sítio onde viviam, decidiu adquirir a maior parte das habitações no mercado e dispersá-las por sete freguesias do concelho vizinho de Sintra.



Do lado de Sintra, o assunto foi mesmo discutido na Assembleia Municipal, com o vice-presidente da Câmara PSD-CDS a dizer que a autarquia “agiu de má fé e teve uma ação terrorista”. Nesta sessão, também os deputados municipais do PS - que detém a presidência da Câmara da Amadora - manifestaram a sua indignação por estarem a realojar famílias da Amadora em Sintra.



O SOS Racismo vê nesta disputa sinais evidentes de xenofobia. “Questiono porque é que os metem em Sintra, e porque é que Sintra não os aceita. A ausência de debate e de participação cívica em torno destas questões causa estas confusões”, disse José Falcão à agência Lusa.



“Não percebo porque é que se compra casas noutros concelhos. Seguramente que na Amadora há muitos sítios e seguramente que vão ser afectados laços de relações e de afectividade entre as pessoas que vão morar para outro lado”, acrescentou o dirigente da associação.



“Os estigmas que são atirados para essas pessoas são responsabilidade dos autarcas. Deviam discutir com as pessoas, que são desprotegidas, pobres, que têm condições frágeis. Não discutem com elas, não lhes dão esse direito, porque partem à partida que eles não são iguais”, acusa o SOS Racismo.

 

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