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Só há dois países na OCDE com menos cuidadores formais que Portugal

No nosso país há um cuidador por cada cem idosos. Pior só na Polónia e na Grécia. Os cuidadores nacionais ganham pouco por hora e estão muito expostos a riscos de saúde.
Trabalhadora de um lar. Foto de Paulete Matos.
Trabalhadora de um lar. Foto de Paulete Matos.

Um estudo publicado pela OCDE, intitulado “Quem cuida? Atrair e manter cuidadores para os mais velhos”, mostra que Portugal é o terceiro país do espaço da OCDE que menos cuidadores formais tem a cuidar de idosos. No nosso país há um rácio de um cuidador formal para cem idosos segundo dados de 2018. A média dos 28 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico analisados era de cinco cuidadores para cada cem em 2016

Portugal é superado na lista dos países com menos cuidadores apenas pela Polónia e pela Grécia e surge com números aproximados dos da Roménia e Bulgária.

O país surge também destacado na lista dos que menos paga aos trabalhadores deste setor: Eslováquia, Estónia, Letónia e Portugal são, sucessivamente, os piores neste aspeto.

Destaque ainda para o número de cuidadores que referem estar expostos a riscos físicos. Em Espanha, Itália e Portugal cerca de 80% destes trabalhadores manifesta estar expostos a riscos físicos e 40% fala de riscos para o seu bem-estar mental.

O retrato do setor dos cuidados a idosos em Portugal feito pelo estudo da OCDE é de um sistema “sob alta pressão para mudar a forma como opera, uma vez que a falta de financiamento contribui para longas listas de espera e são pedidas contribuição economicamente insuportáveis aos utentes. É necessário mais investimento para obter uma força de trabalho segura e efetiva no setor dos cuidados mas não há sinais de um empenho a longo prazo seja para aumentar o número de trabalhadores face às futuras carências seja para melhorar as suas competências”.

E é ainda salientado que Portugal “continua a depender fortemente de cuidados baseados em lares. As comunidades ainda não estão preparadas para lidar com casos complexos, apesar de existirem projetos piloto para cuidados integrados em casa.

Do lado positivo, a OCDE destaca que Portugal, entre outros países, tentaram melhorar a perceção pública sobre estes empregos e atrair jovens para eles “usando campanhas públicas de imagem”.

Em declarações ao Público, a presidente da APRE, Maria do Rosário Gama, explica o baixo número de cuidadores formais no país de duas formas: uma é o baixo rendimento da população que não permite pagar cuidados domiciliários (o que é uma realidade mais difundida noutros países), outra é elevado número de lares ilegais cujos trabalhadores não são obviamente contabilizados nas estatísticas.

A dirigente associativa introduz ainda um outro fator que os números nacionais corroboram: “a dificuldade de recrutar para uma profissão muito dura e prejudicial para a saúde física e mental, com baixos salários e sem possibilidade de carreira”.

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