A coordenadora do Bloco de Esquerda visitou, na manhã desta quinta-feira, o Hospital de Santa Maria em Lisboa, acompanhada pelos deputados bloquistas Isabel Pires e Moisés Ferreira e no final da visita prestou declarações à comunicação social. A visita enquadra-se na preparação do debate desta sexta-feira na Assembleia da República da Lei de Bases da Saúde, apresentada pelo Bloco de Esquerda a partir do contributo de João Semedo e António Arnaut.
“Contratar mais gente para o SNS é a primeira prioridade”
Catarina Martins começou por afirmar que pretendia chamar a atenção para três prioridades imediatas, sendo que “a prioridade das prioridades é seguramente a necessidade de pessoal”.
“É preciso pessoal médico, pessoal de enfermagem, técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, pessoal auxiliar – falta gente no SNS [serviço nacional de saúde]”, salientou a deputada, referindo que perante “muitos dos problemas com que nos debatemos de funcionamento de serviços”, “a resposta é sempre 'falta gente'”.
“O SNS não funciona sem gente e a urgência tem de ser a contratação” concluiu a deputada sobre esta primeira prioridade, sublinhando que “travar contratações durante o governo PSD/CDS foi um erro enorme”.
“Em segundo lugar, é preciso investimento”
A coordenadora bloquista salientou que “há material que vai ficando obsoleto e é preciso renová-lo, para lá do desenvolvimento tecnológico”, lembrando que “sem investimento não conseguimos responder nem na inovação, nem na substituição de material obsoleto”.
“O que está a acontecer é que enquanto o SNS não investe em si próprio, no equipamento que necessita, está a contratualizar com privados o que poderia fazer no SNS e acaba por ser mais mal feito e mais caro”, destacou Catarina Martins, apontando que “investir hoje em equipamentos no SNS é poupar amanhã”.
“A absoluta separação entre o público e o privado”
“Nos anos 90, Cavaco Silva fez uma lei que criou o setor privado como sendo concorrencial ao público e dizendo que cabia ao Estado promover o setor privado da saúde Foi um enorme erro”, afirmou Catarina Martins.
“Estamos com dinheiro público a pagar o setor privado da saúde, setor esse que está a ficar com os profissionais que todos nós pagamos para formar durante tanto anos e que são tão importantes. Quando o SNS perde capacidade vamos contratualizar os serviços que precisamos, mais caros e sem garantir a sua qualidade. Isto não tem nenhum sentido”, frisou a coordenadora bloquista.
“É preciso voltarmos a um princípio básico ao público o que é público”, apontou Catarina Martins, sublinhando que “o setor privado da saúde tem todo o direito de existir mas terá de se sustentar.
“O Estado tem de ter um SNS com os meios, os profissionais e a capacidade para garantir em todo o país o acesso à saúde. E para ter uma visão clara da promoção da saúde em toda a população”, prosseguiu a dirigente bloquista, considerando ainda que “enquanto tivermos um sistema que não põe o SNS no centro e continua a deixar que os privados ditem boa parte da nossa política de saúde, a promoção nunca vai ser prioritária”.
Catarina Martins afirmou a concluir que o debate desta sexta-feira no parlamento é sobre “se queremos um SNS mais moderno, capaz de promover a saúde e capaz de garantir o acesso geral, universal e gratuito de toda a gente à saúde ou se queremos continuar com um sistema que tem vindo a promover o setor privado e, com isso, a retirar recursos financeiros e humanos ao SNS e a impedir-nos de termos um novo paradigma de promoção da saúde em Portugal, que é tão necessário”.