Snowden apela a Trump para conceder o perdão a Julian Assange

04 de dezembro 2020 - 14:58

O ex-analista da NSA exilado em Moscovo pede ao presidente norte-americano que contribua para a libertação do fundador do Wikileaks, atualmente detido em Inglaterra à espera de decisão sobre a extradição para os EUA.

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Manifestante com cartaz em defesa de Assange
Assange também foi lembrado na semana passada na concentração em Melbourne contra os crimes de guerra australianos no Afeganistão. Foto Matt Hrkac/Flickr

Se a justiça britânica decidir em janeiro dar razão ao pedido de extradição norte-americano, Julian Assange enfrenta acusações que podem resultar numa pena de 175 anos de prisão por violação da Lei de Espionagem. Mas Donald Trump pode evitar nos últimos dias do seu mandato que isso aconteça, se conceder um perdão presidencial ao fundador do Wikileaks.

É essa a esperança de outro fugitivo por ter revelado crimes da administração norte-americana, neste caso o do plano de vigilância massiva das comunicações. Edward Snowden, também acusado de espionagem e refugiado em Moscovo desde 2013, apelou esta quinta-feira nas redes sociais a Donald Trump: “Sr. Presidente, se apenas conceder um ato de clemência durante a sua passagem no cargo, por favor: liberte Julian Assange. Só o senhor pode salvar a vida dele”, afirma Snowden.

O apelo de Snowden, que viu este ano a justiça norte-americana declarar ilegal o programa de vigilância da NSA que denunciou em 2013, soma-se ao de outras personalidades que querem vê-lo também perdoado ao lado de Assange. É o caso do ex-senador e figura de proa da direita libertária, Ron Paul, que num artigo de opinião publicado esta semana tenta convencer Trump que o perdão a Assange e Snowden “é uma oportunidade incrível para reparar os males terríveis perpetrados pela administração Obama/Biden”.

Também o realizador Oliver Stone apela ao lado mais provocatório do presidente dos EUA, dizendo que “um perdão a Snowden e Assange seria um grande choque para este mundo” e “vai deixar doidos os seus inimigos nos media e no ‘deep state’”, em particular Hillary Clinton, para além de “desviar as atenções dos seus perdões para a família e os seguidores” e “deixar confusos os seus críticos, bem como os futuros historiadores”.

 

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