SITAVA apela à normalização salarial e ao fim do lay-off na TAP

16 de maio 2020 - 19:04

O sindicato pretende que a situação seja regularizada até ao final do mês de maio. “As falsas promessas que nos fizeram e a idílica ideia de empresas cada vez maiores e sempre a crescer, pode ter sido um logro”.

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Avião da TAP. Por MiguelCorreia/Flickr

Para o sindicato este é o momento em que as empresas e o próprio Governo devem comprometer-se a dar o seu contributo para uma normalização salarial dos trabalhadores que nos últimos meses foram prejudicados com uma quebra acentuda do rendimento, provocada pelo “lay-off”. Alertam ainda para a existência de situações complexas a afetar os trabalhadores, relativas à redução do salário, que necessitam de ser resolvidas com urgência.

Segundo o seu comunicado, o SITAVA tem vindo a intervir "junto das entidades competentes, onde somos ouvidos, no sentido de terminar a aplicação do ‘lay-off’ no fim deste mês de maio, e tem apelado às empresas e ao próprio Governo para que seja retomada a situação salarial normal, ainda que a retoma de atividade aconteça de forma progressiva”.

Para o sindicato “é um facto que os anos que se viveram desde 2016 trouxeram-nos uma dinâmica e uma autoestima como há muito não se via nestas empresas. Mas será que esse inebriante crescimento, essa aparente pujança empresarial era sustentável ou antes assentava num projeto de alto risco e com objetivos muito direcionados? Os resultados negativos dos exercícios de 2018 e 2019 parecem indiciar isso mesmo”, questionam-se sobre o modo de administração da empresa.

Tendo em conta os momentos complexos que se avizinham, referem: “as falsas promessas que nos fizeram e a idílica ideia de empresas cada vez maiores e sempre a crescer, pode ter sido um logro”.

Álvaro Novo, secretário de Estado do Tesouro referiu à Lusa também esta quarta-feira que terá que ser a administração da TAP a pedir apoio ao Governo, tendo já solicitado uma "garantia [pública] a um empréstimo que a TAP pretende obter", num total de 350 milhões de euros. O secretário de Estado alerta ainda para a necessidade de "fundamentação técnica" referente a esses mesmos pedidos de apoio.

O secretário de Estado avança ainda à Renascença que a intervenção poderá ocorrer no mês de junho “esperamos que falando com a União Europeia, porque a isso estamos obrigados como sabem, tenhamos uma decisão prática de injeção de dinheiro mediante condições que vão ser estabelecidas ao longo deste processo negocial em meados de junho”.

Enquanto que para António Costa é necessária uma gestão de poderes adequados na TAP e os apoios devem ter isso em consideração, Mário Centeno defende uma capitalização dividida entre o Estado e o acionista privado. Atualmente o Estado tem 50% da TAP, o consórcio Gateway 45% e os trabalhadores 5%.

Devido à atual situação pandémica a companhia áerea está praticamente parada, estando a grande maioria dos seus trabalhadores em “lay-off”.