A FESAHT, Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal, considera que as condições de trabalho, imprevisibilidade de horários, ritmos de trabalho intensos, baixos salários e ausência de perspetivas de carreira são fatores determinantes para que os trabalhadores que podem fujam do setor “como o diabo da cruz”.
À Lusa, Francisco Figueiredo dirigente deste sindicato declara mesmo que os patrões deviam “corar de vergonha” das propostas que fazem, ao mesmo tempo que garantem “que estão disponíveis para a negociação e para atrair trabalhadores”. Estes falam em falta de trabalhadores mas fizeram “despedimentos em massa” na altura da pandemia.
Para além disso, impõem ritmos de trabalho “intensíssimos” e “horríveis” nos hotéis, restaurantes e bares e o trabalho extraordinário muitas vezes não é pago.
Francisco Figueiredo considera que os patrões querem “mão de obra barata” em detrimento da qualidade do serviço e alerta que há trabalhadores migrantes que vivem em camaratas sem condições, em “situações de autêntica escravatura”.
Por causa destes problemas há já uma manifestação do setor marcada para o próximo dia 1 de julho em frente ao Ministério do Trabalho. Os trabalhadores queixam-se que o governo não promove a contratação coletiva, deixando-os “completamente desamparados”.
As suas queixas estendem-se às várias associações patronais. Para o representante sindical, a Associação da Hotelaria de Portugal “não é séria ao dizer que quer a progressão na carreira, condições mais atrativas, se à partida põe um ponto prévio à CGTP, que é aceitar o banco de horas”; a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo “propõe o salário mínimo ou cinco, seis ou sete euros de aumento para os trabalhadores de hotéis de quatro e cinco estrelas”; e a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal apresentou uma proposta para o subsetor do alojamento "que também é miserável": entre cinco e sete euros de aumento.