Coreia do Sul

Sindicato marca primeira greve na Samsung Electronics

03 de junho 2024 - 11:39

A empresa é conhecida pelas suas agressivas práticas anti-sindicais e só em 2019 é que os sindicatos conseguiram entrar nela. Agora, um sindicato com 28.000 trabalhadores avança com uma luta inédita.

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Trabalhadores da Samsung Electronics marcam greve
Trabalhadores da Samsung Electronics marcam greve

O Sindicato Nacional da Samsung Electronics anunciou esta quarta-feira que iria realizar a sua primeira greve de sempre. Esta força sindical organiza 28.000 trabalhadores da multinacional na Coreia do Sul, o que corresponde a 20% do total. É o maior dos sindicatos da empresa.

A paralisação no maior fabricante mundial de chips acontecerá no próximo dia 7 de junho. Vários trabalhadores têm vindo a protestar junto aos escritórios da empresa em Seul e na fábrica de chips em Hwaseong, a norte da capital sul-coreana. Na semana passada foram mais de 2.000 a protestar em Seul.

Os trabalhadores reivindicam mais um dia de folga e transparência nos bónus de desempenho.

No vídeo em direto em que foi comunicada a jornada de luta, os dirigentes sindicais faziam-se acompanhar por uma faixa em que estava escrito: “já não podemos tolerar mais a repressão do trabalho, a repressão sindical”. Declararam que a “empresa negligencia os trabalhadores” e que só optaram pela greve depois do diálogo ter falhado.

A Samsung Electronics é conhecida pela sua feroz oposição aos sindicatos, procurando afincadamente deixá-los de fora das suas instalações. O malogrado fundador da empresa, Lee Byung-chul, é conhecido por ter afirmado que não iria permitir que houvesse sindicatos na Samsung “até que eu tenha os olhos cobertos de terra”. Em 2012, foram revelados documentos internos da empresa que davam instruções aos gestores para controlar o “pessoal problemático” que tentasse criar sindicatos. “Para evitar alegações de práticas laborais injustas, demita, os principais organizadores antes do lançamento de um sindicato”, recomendava-se então.

Em 2019, a barreira anti-sindical foi quebrada pela primeira vez, num contexto de crise interna da estrutura e com o vice-presidente, o neto do fundador, a ser julgado por suborno e manipulação.

A Samsung Electronics é o coração do Samsung Group. E a sua importância na cadeia de abastecimento eletrónica mundial e inexperiência em lidar com uma greve está a criar expetativa sobre o impacto desta paralisação.