Em declarações aos jornalistas junto ao Hospital de São José, em Lisboa, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins, destacou que a estrutura sindical exige o retomar das negociações sobre as 35 horas de trabalho e que já emitiu pré-avisos para novas greves durante o mês de agosto.
A primeira paralisação está agendada para a semana de 9 a 12 de agosto no Instituto Português de Oncologia de Coimbra, Hospital de Figueira da Foz e Centro Hospitalar do Algarve.
Segundo dados do SEP, esta sexta-feira a adesão à greve foi de 78,6% no turno da noite e da parte da manhã situou-se entre os 70 a 90%.
O Governo, que afirmou que o primeiro dia de paralisação foi pouco expressivo, admite que “hoje, provavelmente, terá um bocadinho mais de impacto”
“Mas o objetivo em termos de trabalho é conseguirmos minimizar os riscos e os problemas para a vida dos utentes e penso que no essencial conseguimos ontem e vamos conseguir hoje também", salientou o secretário de Estado da Saúde.
Segundo Manuel Delgado, a greve foi desencadeada por falta de acordo relativamente às 35 horas de trabalho: “Nós acompanhamos já há uns meses, com negociações constantes os sindicatos dos diferentes setores da área da saúde, as suas exigências, os seus pedidos, as suas reivindicações, e chegámos a um ponto em que não pudemos avançar mais”.
Esse ponto “prendia-se exclusivamente” com as 35 horas de trabalho aplicáveis aos contratos individuais de trabalho.
“Não foi possível chegarmos a um acordo, o Governo tem responsabilidades públicas de defesa intransigente do interesse público e neste momento não foi possível avançarmos por aí e a greve desencadeou-se a partir desta divergência”, salientou.
A 1 de julho passado entrou em vigor o diploma que repõe as 35 horas semanais no setor da Administração Pública, mas, no setor da saúde, o Governo deixou de fora os trabalhadores com contrato individual de trabalho, remetendo a alteração da duração de trabalho para a celebração de um Acordo Coletivo de Trabalho a negociar com sindicatos.
Participam na greve assistentes operacionais de apoio à ação médica, técnicos de diagnóstico de terapêutica, radiologistas, entre outros funcionários do setor da saúde, com exceção dos médicos.