Lutas

Sindicato acusa Lidl de manter maioria de trabalhadores em part-time

21 de fevereiro 2025 - 14:28

O CESP revela que aumentos salariais anunciados pela empresa só se aplicam a poucos trabalhadores e a “esmagadora maioria” trabalha por turnos rotativos, fins-de-semana e feriados, com alterações constantes de horários. Isto impede-os de viver com o salário pago pela empresa e de conciliar este com outro trabalho.

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Trabalhadores do Lidl em luta.
Trabalhadores do Lidl em luta.

Em janeiro, o Lidl anunciou aumentos salariais e tal foi amplamente divulgado na comunicação social. Acontece que estes apenas se aplicam aos trabalhadores a tempo inteiro, o que só inclui “algumas chefias e muito poucos operadores de supermercado e armazém”. A “esmagadora maioria” dos trabalhadores desta empresa “trabalha por turnos, com cargas horárias de 28 ou 32 horas semanais”. Por isso, “continuarão a receber menos que os 870 euros do salário mínimo”.

A denúncia é do CESP, Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, que o escreve num comunicado onde informa que enviou um Caderno Reivindicativo à empresa que inclui uma proposta de reunião para a sua negociação.

Os trabalhadores consideram que a empresa “tem todas as condições para pagar salários dignos e garantir horários regulados a todos os seus trabalhadores”.

Apesar disso, “tanto nas lojas como nos armazéns, predominam os “part-times” de 28 ou 32 horas – o que significa salários inferiores aos 870€ do salário mínimo nacional”. Acresce a isto que os trabalhadores são “insuficientes” para o trabalho que há e que estão sujeitos a trabalhar por turnos rotativos, aos fins-de-semana e feriados e a alterações constantes dos horários de trabalho. A situação, critica-se, impede-os quer de viver com o salário pago pela empresa quer de conciliar este com outro trabalho.

Outra das denúncias feitas pelo CESP é que o Lidl obriga os trabalhadores a “cumprir funções para as quais não foram contratados”. Isto porque atribui a função de limpeza geral das lojas e armazéns aos operadores, enquanto esta deveria ser feita pela categoria profissional Servente de limpeza.

Do caderno reivindicativo apresentado fazem parte assim a contratação de vigilantes e equipa de limpeza durante todo o funcionamento da loja, o aumento dos salários de todos os trabalhadores em, pelo menos, 150 euros e as 35 horas de trabalho semanal para todos, sem perda de salário e com garantia de horários de trabalho dignos que permitam a conciliação entre a vida pessoal e familiar e a vida profissional.

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