Sempre votei BE e a 5 de Junho também mas fiquei um pouco “chateado”

05 de julho 2011 - 0:08

Contributo de Igor Martins

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Desde já devo dizer que pouco percebo de política mas isso hoje em dia está valorizado. Não preciso saber de política para pensar por mim e para ser justo, para mim e para todo o ser humano.

Tenho apenas 26 anos e podia ser apolítico pois não me revejo em nenhum partido ou personalidade. É tudo farinha do mesmo saco. Sacrifícios ao povo e não aos interesses e grande capital que tem numero de telefone de todos os ministros. Não sou apolítico porque isso pouco resolve e eu prefiro tentar “resolver” alguma coisa apoiando o Bloco porque é com quem mais me identifico, algumas coisas discordo mas nada pode ser perfeito!

Acho que as pessoas de esquerda queriam um BE que tivesse assumido real alternativa. Sempre votei BE e a 5 de Junho também mas fiquei um pouco “chateado” pois preferia que o Francisco Louçã tivesse ido às reuniões com a troika de maneira a expor as suas ideias e para não ficarem as pessoas com a ideia que o BE só serve para refilar, dizer mal e etc.. Eu sei e percebo muito bem que as negociações eram com o governo e o resto foi show-off mas umas vozes de esquerda junto da troika só fariam bem.

Acho também que o BE deveria promover mais as pessoas com boas ideias e fundamentos dentro do partido pois apenas o coordenador é pouco. As pessoas pensam que não há “mentes” suficientes no BE para formar governo e ministros. Promovam mais pessoas como a Ana Drago que muito gosto de ouvir, pessoas jovens ou mesmo menos jovens, mas assim a sociedade vê que o BE não se esgota em 2 ou 3 pessoas. Todos têm de participar e dar contributos, criem um governo dentro do BE, criem grupos de trabalho e estudo para apresentar propostas e debater as do governo, para arranjar formas de receita adicional e controlar despesa, casos e factos concretos, ideias concretas.

Eu considero-me de esquerda sem perceber muito de política e porquê? Eu vos digo, porque acredito e acho que a escola tem de ser pública e o estado não deve financiar ou ajudar seja de que maneira for a escola privada (quem lá se matricula sabe que é para pagar, é como um rico pedir uma casa à Segurança Social e ter casa de férias), o SNS tem de se manter a todo o custo, todos devemos ter iguais oportunidades de emprego e acesso à cultura, empresas geradoras de lucros (lucros mesmo, não lucros com empréstimos bancários) como Galp, EDP, PT, CGD e todas as que são sectores comuns a toda a gente. Um dia a Telefonica compra a PT e em vez de 50 euros para ter MEO passamos a pagar 70 ou 80 euros. Trabalho com direitos, não trabalho temporário que depois se estende por 2,3,4 anos, recibos verdes para postos fixos como há tantos, etc.. A minha filha de 20 meses vai viver em que país, em que mundo?

P.S. - Também defendo uma mudança num ponto muito essencial e que muita gente não conhece, o poder de criar dinheiro devia pertencer ao Estado e não aos Bancos. Os bancos emprestam dinheiro que não existe e com isso ganham milhões, biliões de euros de lucro. Com dinheiro que não existe? Se eu ganhar o Euromilhões abro um banco, 10 pessoas a quem prometo dividendos depositam lá 10 milhões de euros e a partir daí eu posso criar 1000 milhões, emprestá-los a particulares, empresas e estado, lucrar triliões e “enterrar” o próprio estado e tudo é normal e não há nada a mudar? Não concordo e muitas pessoas desconhecem o sistema senão não concordavam de certeza. Os ricos sempre tiveram o poder e prosperaram desde há séculos e nunca mudaram o sistema. Herdámos um mundo assim e por essa razão o mundo vai ser assim até o Sol explodir? Anseio por uma esquerda com BE e PCP fortes, aglutinadores, com ideias e mentes jovens e inteligentes para ganharem votos e legitimidade para governar. URGENTEMENTE!

Esquerdista por Convicção

Igor Martins de Sintra