Semedo: "Novo ciclo de Passos Coelho é a velha austeridade

30 de julho 2013 - 16:52

No debate da moção de confiança que Cavaco obrigou PSD e CDS a apresentar ao Parlamento, João Semedo confrontou o primeiro-ministro com a fragilidade da composição do Governo e classificou o "novo ciclo" de Passos Coelho como uma ficção que mascara "a velha austeridade". No fim do debate, um grupo de cidadãos colocou narizes de palhaço num protesto que apelidaram de "confiança no novo circo" do Governo.

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Foto de Paulete Matos

O coordenador bloquista interveio no debate, começando por afirmar que se trata de uma "moção de confiança para a fotografia" e começou por destacar as "três razões para não confiar no Governo: a sua composição, a desgraça que semeou no país e a que se prepara para semear".

Quanto à primeira, Semedo apontou os casos da Ministra das Finanças, que "a cada verdade que se conhece do caso dos swaps, recua para uma nova mentira"; o do Ministro dos Negócios Estrangeiros, "que esteve anos a fio sentado na podridão do caso BPN/SLN e nunca se lhe ouviu uma palavra ou um gesto". 

"Para o PSD, o caso BPN/SLN é para esquecer e branquear, desde que os contribuintes continuem a pagar o buraco da fraude", acusou o cordenador bloquista.

"Na economia, como se a remodelação fosse um jogo da glória, lá voltam as contrapartidas dos famosos submarinos à casa de partida, ao ministério onde hoje está um dirigente do CDS", acrescentou Semedo, referindo-se a Pires de Lima. Já sobre Paulo Portas, João Semedo afirmou que a sua presença no Governo é um ato de dissimulação política clara". "Como se pode confiar num Governo com ministros destes?", rematou o coordenador do Bloco.

Para João Semedo, o "novo ciclo" que Passos Coelho não se cansa de repetir nos últimos dias é na verdade "uma ficção: o novo ciclo é a velha austeridade", afirmou. "A sua novidade é o paraíso fiscal que promete agora para os grupos financeiros", prosseguiu, referindo-se à proposta de isenção da tributação das SGPS. O coordenador bloquista explicou ainda a Passos Coelho que não pode querer conciliar no mesmo discurso austeridade e crescimento, uma vez que "a austeridade mata a economia".

A concluir a intervenção, João Semedo assinalou que o primeiro-ministro "anda em campanha eleitora, mas isso não desculpa o insulto aos funcionários públicos, quando os mandou ir fazer alguma coisa para outro lado", ao mesmo tempo que prepara milhares de despedimentos. E terminou com um apelo a Passos Coelho: "Siga o seu próprio conselho: vá fazer alguma coisa para outro lado, mas deixe o país em paz!"

Narizes de palhaço nas galerias da Assembleia

No fim do debate, enquanto os deputados da maioria batiam palmas ao Governo, um grupo de cidadãos do movimento "Que se Lixe a Troika" resolveu envergar narizes de palhaço para saudar não o "novo ciclo" de Passos Coelho, mas sim o "novo circo" do Governo remodelado. "Esta moção de confiança só pode ser interpretada como uma peça de teatro ou de circo, encomendada por Cavaco Silva e posta a circular com o apoio das agências de comunicação que se desdobraram furiosamente nos últimos dias a tentar vender a ideia de que o governo tem algo de novo. É a inversão da realidade", diz o Que se Lixe a Troika na sua página no Facebook.

"Nesse contexto não pudemos deixar de participar neste dia de tragicomédia trazendo o nosso contributo: já que estamos no circo, que se saiba que quem é gozado mais uma vez é a população", concluem os organizadores do protesto silencioso nas galerias, que desta vez não mereceu reparos da presidente da Assembleia da República.