Os resultados oficiais deram a Seguro 68% dos votos e 32% a Assis, numa eleição directa em que participaram 34 mil militantes, o maior número desde 2004, quando a liderança foi disputada entre Sócrates, Alegre e João Soares. A vantagem de Seguro foi ampliada na votação para delegados ao Congresso do PS, que se realiza de 9 a 11 Setembro: Num total de 1.857 delegados, as listas de Seguro elegeram 1.346 delegados, contra 511 de Francisco Assis, faltando ainda apurar o resultado de cinco secções.
Seguro discursou a seguir ao anúncio destes resultados e disse estar pronto para fazer uma “oposição firme, responsável, construtiva e leal” e referiu-se à questão da revisão constitucional para dizer que “o PS não considera que exista um problema constitucional em Portugal e será firme na defesa das funções sociais do Estado e no equilíbrio das relações laborais estabelecido nos princípios constitucionais”.
Quanto ao memorando da troika, que prevê medidas que irão agravar a recessão e o desemprego, o novo líder socialista reafirmou a vontade de manter o compromisso subscrito pela anterior direcção, acrescentando que “o memorando não suspende a política” e que não vai deixar de "de apresentar soluções alternativas de acordo com a declaração de princípios do partido e com o mandato recebido pelos portugueses”.
A primeira mudança no PS foi anunciada por António José Seguro para a próxima quinta-feira, quando reunir o grupo parlamentar. “Introduziremos a liberdade de voto como regra de acção dos deputados do PS na Assembleia da República. Mudança que reputo da maior importância", anunciou António José Seguro, que já admitiu mudar a lei eleitoral para introduzir círculos uninominais. Seguro prometeu mais novidades para o Congresso de Setembro.
O tema político escolhido para o primeiro discurso como líder eleito foi o combate à corrupção, manifestando “grande disponibilidade para acordos parlamentares, com todos os partidos, de modo a que seja possível acabar com esta praga que mina o Estado de Direito democrático".
Francisco Assis reconheceu a derrota e saudou o novo líder do PS. “Retirei alguns ensinamentos deste processo. Acho que os militantes do PS tinham uma relação de algum distanciamento, mas terei agora tempo para superar essa dificuldade e dedicar-me-ei a isso. Percebi que eles me respeitam, mas que há alguma distância”, explicou aos jornalistas o candidato apoiado pelo círculo mais próximo de José Sócrates.
Seguro eleito líder do PS por mais de dois terços
24 de julho 2011 - 11:36
António José Seguro é o novo secretário geral do PS e conseguiu cerca de dois terços dos votos na eleição que disputou com Francisco Assis. No discurso de vitória, prometeu cumprir o memorando da troika e introduzir desde já como regra a liberdade de voto na bancada parlamentar.
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Seguro vai dar liberdade de voto aos deputados do PS. Foto Ricardo Oliveira.