De acordo com os dados revelados esta quarta-feira pela Segurança Social, compilados pelo jornal i, em cada mês de 2013 mais de 12 mil pessoas perderam apoios sociais a que tinham direito. Comparando os números de janeiro de 2014 com janeiro de 2013, há hoje menos 30 mil desempregados com acesso a subsídio de desemprego ou subsídio social, elevando para 53% o número de desempregados registados e sem acesso a apoios. E quem recebeu apoio no desemprego viu diminuir essa prestação. Em média, o valor pago mensal do subsídio caiu 40 euros em 2013, passando para 470 euros mensais, um valor inferior ao salário mínimo. Ou seja, ao fim de um ano o corte equivale a um mês de subsídio a menos nas contas dos desempregados.
Os cortes nos apoios sociais estenderam-se aos abonos de família, onde mais de 50 mil famílias perderam o direito a recebê-lo, ao Complemento Solidário para Idosos, que perdeu 18 mil beneficiários, ou ao Rendimento Social de Inserção, que paga em média 88 euros por mês a menos 52 mil beneficiários do que em janeiro do ano passado. Afetadas por esta política foram também as crianças e jovens com deficiência: cerca de 38% dos beneficiários do apoio à educação especial - 1702 crianças e jovens - perderam esse apoio.
Estes cortes no Estado Social promovidos pelo Governo do PSD/CDS no último ano contrastam com o aumento da receita do imposto sobre os rendimentos do trabalho, que no ano passado disparou 35%, apesar da forte quebra do rendimento da generalidade dos trabalhadores. Em 2013, duas em cada três famílias portuguesas declararam menos de 10 mil euros anuais de rendimentos do trabalho, quando em 2010 as famílias com esse rendimento eram menos de metade do total.
Ao dizer esta quarta-feira no Parlamento que "não podemos regressar ao nível salarial de 2011 nem ao nível das pensões de 2011", Passos Coelho deu a expressão política ao rumo tomado após a sua eleição nesse ano. Apesar de ter prometido antes das eleições não cortar salários nem pensões, o seu governo tem agravado o empobrecimento generalizado da população, como agora confirmam uma vez mais os números da Segurança Social, referentes a um ano em que o custo de vida aumentou brutalmente, destacando-se os preços da eletricidade, transportes, rendas de casa e acesso aos serviços de saúde.