Está aqui

Secretário de Estado foi consultor de empresário que vai ser julgado por corrupção

Agostinho Branquinho prestou serviços ao dono do Hospital de São Martinho, em Valongo, que foi pronunciado e será agora julgado por corromper funcionários da Administração Regional de Saúde do Norte, segundo denúncia do Público.
Agostinho Braqnuinho não quis esclarecer que consultoria prestou e quando. Foto de Mário Cruz, Lusa.

O Tribunal de Instrução Criminal do Porto pronunciou pelo crime de corrupção ativa, no dia 15 de Julho, Joaquim Ribeiro Teixeira, fundador e administrador da empresa PMV - Policlínica, SA, proprietária do Hospital de São Martinho, em Valongo, e da Policlínica de Lordelo. Esta empresa, segundo uma reportagem do jornalista José António Cerejo, do Público, teve como consultor o recém-nomeado secretário de Estado da Segurança Social, Agostinho Branquinho, e como fiscal o deputado e presidente da distrital do Porto do PSD, Virgílio Macedo.

Joaquim Teixeira foi pronunciado por corrupção ativa por ter feito pagamentos, em dinheiro, automóveis e telemóveis, a dois funcionários da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS), que também vão sentar-se no banco dos réus, acusados de corrupção passiva.

Em contrapartida dos pagamentos que lhe eram feitos, os dois funcionários forneciam informação confidencial favorecendo a PMV em detrimento das empresas concorrentes. Por esse motivo ambos foram demitidos das suas funções já há vários anos, na sequência dos processos disciplinares que lhes foram instaurados.

Dinheiro, carro, telemóveis

Os pagamentos totalizaram 31.202 euros. Os dois arguidos terão recebido também 14.085 euros dos outros dois empresários, Florêncio Dias Neto e Valentim Dias Neto, donos de duas clínicas de Paços de Ferreira e Vizela. Foram ainda presenteados com móveis, telemóveis, e de um automóvel no valor de 28.000 euros pago por uma das empresas.

A PMV foi criada em 1997. Nos meses que antecederam a abertura do Hospital de São Martinho, o então deputado Agostinho Branquinho fez várias declarações públicas como "consultor da administração" daquele hospital – função que, segundo o Público, omitiu no seu registo de interesses na Assembleia da República.

Contactado pelo jornal, o atual Secretário de Estado não quis esclarecer as funções que desempenhou na PMV, bem como o período em que lá esteve e a natureza das suas relações com o empresário acusado.

Agostinho Branquinho tomou posse no cargo no fim do mês passado, substituindo Marco António Costa, que foi vice-presidente da Câmara de Valongo até 2005.

Passagem pela Ongoing

Agostinho Branquinho já ficara famoso por, em fevereiro de 2010, quando era deputado do PSD, ter perguntado numa comissão parlamentar o que era a Ongoing – para meses depois abandonar o mandato para ir para um cargo na administração da mesma Ongoing. Saiu da empresa em 2012 por “razões pessoais”, mas frisando que não se desligaria totalmente do grupo.

Recorde-se também que Nuno Vasconcelos, presidente da Ongoing e que fez o convite a Branquinho, é acusado pelo Ministério Público de corrupção, junto com Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do SIED, no chamado “caso das secretas”.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Política
(...)