No final de uma reunião com a Comissão de Acompanhamento da Seca, o ministro do Ambiente e Ação Climática, Matos Fernandes, anunciou a suspensão de produção elétrica nas barragens do Alto-Lindoso, Touvedo, Vilar-Tabuaço e Gerês (Cabril/Castelo de Bode). O governante indicou que esta medida já vigorou durante quatro dias nas barragens de Alto-Lindoso e de Touvedo, tendo sido possível recuperar 12 a 15% do volume de água.
Matos Fernandes deu também indicação para que a água da Barragem de Bravura, no Algarve, não seja utilizada para fins agrícolas. Em declarações à comunicação social, Matos Fernandes disse acreditar que não faltará água para consumo humano, acrescentando que considera a possibilidade de “continuar a transferir água a partir do Alqueva, nomeadamente para outras barragens, para a rega”.
O Instituto do Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) considera que a zona norte do país se encontra em nível de seca moderado, mas há locais de Bragança em seca severa, o segundo nível de gravidade, de acordo com a escala utilizada pelo IPMA, que categoriza a seca como fraca, moderada, severa ou extrema.
De acordo com Vanda Pires, do IPMA, não há previsão de precipitação significativa, pelo menos até meados de fevereiro. “Há probabilidade de chuva nos dias 3 e 4 de fevereiro, mas são valores inferiores ao que é normal e, mesmo até ao final de fevereiro, as previsões não apontam para valores significativos de precipitação”.
Se não chover em fevereiro, “entramos numa situação muito complicada, porque vai haver um agravamento”, avançou, concretizando que, “a região Norte, que agora está na situação de seca moderada, não havendo precipitação suficiente, irá naturalmente agravar para a classe de seca severa, que é uma das mais graves, e isso vai ter impactos ao nível do setor agrícola e hidrológico também”.
Para além desses impactos, há um maior risco de incêndios florestais, “porque, além de termos situação de seca, estamos a ter temperaturas um bocadinho acima do normal para esta altura no ano, que ainda ajuda mais a secar o mato”, concluiu.
A título de exemplo, refira-se que, de acordo com a Federação de Bombeiros de Viana do Castelo, na última semana de janeiro registaram-se 100 fogos neste distrito do norte do país.