Salários reais irão recuar este ano para valores de 2014

03 de janeiro 2023 - 15:41

Com a inflação a manter-se em níveis elevados e os salários a não acompanharem o aumento dos preços, a perda de rendimento real é permanente e pode ser irreversível.

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Foto de Paulete Matos.

O Jornal de Notícias, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), calculou que um agregado familiar composto por dois adultos e um dependente irá gastar anualmente em 2023 mais 2.705 euros do que em 2014.

Os dados do INE indicam que a inflação média de 2022 foi de 7,8% e prevê uma descida para 4% este ano. Se se verificar, trata-se de um valor acumulado de quase 18% ao longo da década. 

Entre 2014 e 2023, os gastos com alimentação serão os mais agravados, com um aumento de 22%. Seguem-se os transportes públicos (+15%), bens e serviços diversos (+11%) e as despesas com habitação, água, gás, eletricidade e combustíveis (+10%). 

O problema é duplo: os preços dos bens não diminuem para os valores anteriores e os salários não são atualizados face à inflação. Verifica-se, por isso, uma perda de rendimento real que poderá ser irreversível. 

Nuno Rico, economista da Deco Proteste, salientou que “a perda do poder de compra é permanente, dado que a inflação funciona como um imposto. Se o índice de preços é de 10% e o nosso rendimento só aumenta 5%, temos uma perda de 5%. Deixamos de conseguir comprar exatamente o mesmo com o mesmo dinheiro. O efeito é permanente”, conclui.