Síria: primeira demissão no regime

08 de março 2012 - 18:18

Vice-ministro do Petróleo demite-se e apoia a revolta contra o regime. Chefe da equipa humanitária da ONU, diz ter ficado "devastada" com a destruição no distrito de Baba Amr, bombardeado pelo exército sírio. EUA dizem que há limitações militares a uma intervenção.

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Abdo Hussameddine, vice-ministro do Petróleo, anunciou a demissão do governo sírio e o apoio à “revolução do povo que rejeita a injustiça e a campanha brutal do regime”.

Abdo Hussameddine, vice-ministro do Petróleo, anunciou a demissão do governo sírio e o apoio à “revolução do povo que rejeita a injustiça e a campanha brutal do regime”. Trata-se do primeiro membro do governo a juntar-se à oposição desde o início das manifestações contra o regime de Bashar al-Assad.

A decisão foi anunciada numa mensagem de vídeo: “Digo ao regime, que reivindica ser dono do país, que vocês não têm nada a não ser o rasto do tanque conduzido pela barbárie de matar pessoas inocentes", acusou, acrescentando ter abandonado o partido Baath e aderido à revolução.

O chefe do Conselho Nacional da Síria (CNS), Burhan Ghalioun, saudou a deserção e exortou “todos os membros do governo e funcionários a abandonarem o regime e juntarem-se às fileiras da revolução pela liberdade e dignidade”.

Destruição em Baba Amr

Depois de uma visita a Homs, Valerie Amos, chefe da equipa humanitária da ONU, disse ter ficado "devastada" com a destruição que encontrou no distrito de Baba Amr. O exército sírio retomou o controlo do distrito na semana passada, após um forte bombardeamento.

Amos encontrou Baba Amro vazio. Quarta-feira, Amos reuniu-se em Damasco com o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid al Mualen, que manifestou a disposição de ajudar o trabalho humanitário da ONU e a cooperação com o enviado internacional para a Síria, Kofi Annan, cuja chegada está prevista para sábado.

No Egito, o ex-secretário geral das Nações Unidas disse que a sua missão será estimular o diálogo entre o presidente Bashar al-Assad e a oposição. "Faremos tudo que estiver ao nosso alcance para apelar e pressionar pela interrupção das hostilidades e o fim das mortes e da violência", disse Annan. "Mas é claro que precisamos de um acordo político para chegar a uma solução".

Rússia denuncia Líbia

O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, acusou as autoridades da Líbia de abrigar no seu território um campo de treino de rebeldes sírios, que depois são enviados novamente ao seu país para, segundo o diplomata, cometer atentados contra as autoridades.

"Recebemos informações de que, na Líbia, com apoio das autoridades, existe um centro especial de treino de revolucionários sírios", declarou Churkin no Conselho de Segurança da ONU, afirmando que esses acampamentos enviam rebeldes à Síria para "atacar o governo legal".

O diplomata russo destacou que a existência desse acampamento é "algo totalmente inaceitável sob todas as leis, e despreza a estabilidade de toda a região".

EUA dizem que há limitações militares

Numa audiência no senado dos EUA quarta-feira, o general Martin E. Dempsey, chefe do Estado-Maior Conjunto, e o secretário da Defesa Leon E. Panetta disseram ao senador John McCain que o presidente Obama pediu ao Pentágono que estudasse opções militares na Síria, mas afirmaram que a Casa Branca ainda considera que as pressões económica e diplomática ainda são a melhor opção para proteger os sírios do regime de Assad.

McCain foi o primeiro senador a pedir ataques aéreos norte-americanos contra o regime sírio. Panetta disse que uma intervenção poderia desencadear uma guerra civil no país e piorar a situação. E disse abertamente que a administração Obama reconhecia que “há limitações da força militar, especialmente com tropas terrestres no terreno”, de acordo com o The New York Times.