“Juntar guerra à guerra não protege a massacrada população Síria e apenas agrava o problema”, alerta o Bloco numa tomada de posição publicada esta quinta feira no Diário de Notícias.
“Uma intervenção militar dos EUA e aliados levará a uma escalada do conflito em toda a região”, acrescenta, defendendo que “é necessária uma solução política, que proteja a população Síria e ponha fim ao terror da guerra”.
“É nisso que se deve empenhar a ONU e a comunidade internacional. E também o governo português”, frisa.
Conselho de Segurança das Nações Unidas não chega a consenso
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não conseguiram chegar a um acordo esta quarta feira sobre a resolução proposta pelo Reino Unido, que “condena o ataque químico” de há uma semana na Síria e dá autorização “às medidas necessárias para proteger os civis”, abrindo caminho a uma intervenção militar.
O governo chinês afirmou, num comunicado publicado esta quinta feira, que "uma solução política é, desde o princípio, a única saída ao problema sírio" e que uma "interferência militar externa vai contra os princípios da Carta das Nações Unidas e as regras fundamentais das relações internacionais".
O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Gennady Gatilov, declarou, por sua vez, que, "na etapa atual é preciso utilizar ao máximo o instrumental político-diplomático e, em primeiro lugar, permitir que os observadores das Nações Unidas averigúem os possíveis casos de uso de armas químicas na Síria, que terminem o seu trabalho e que informem o Conselho de Segurança da ONU dos seus resultados".
"Os planos de atacar militarmente a Síria que declaram alguns Estados constituem um aberto desafio às normas do direito internacional e aos princípios fundamentais da ONU", avançou ainda.
Já o governo alemão concorda com os intuitos de David Cameron. "A chanceler (Angela) Merkel falou novamente ao telefone esta quarta-feira à noite com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, sobre a situação na Síria. Ambos estão de acordo ao considerarem que o uso massivo de gás tóxico contra a população civil síria está agora suficientemente fundamentada", indicou o porta-voz do governo, Steffen Seibert.
O governo francês também já se tinha afirmado disposto a “castigar quem tomou a decisão infame de gasear inocentes". O governo francês não vai fugir "à responsabilidade definida pela ONU de proteger os civis", asseverou François Hollande.
“Ataque com armas químicas não deve ficar impune”
Durante uma entrevista transmitida pela televisão pública PBS, Barack Obama reconheceu que uma intervenção militar não vai pôr fim à morte de civis inocentes na Síria mas sublinhou que o ataque com armas químicas não deve ficar impune.
Segundo Obama, "inequívocamente, os Estados Unidos chegaram à conclusão de que o governo sírio realizou um ataque mortífero com armas químicas contra civis, em Damasco", contudo, o governo norte americano ainda não tomou qualquer decisão definitiva.
Barack Obama descartou um “envolvimento militar direto” dos Estados Unidos na guerra civil síria, mas frisou que “é importante que, se for feita a escolha de avançar com repercussões para o uso de armas químicas, o regime de Bashar al-Assad receba um sinal bastante forte de que é melhor que não volte a fazer o mesmo”.
Ação militar forte e rápida
Fontes militares citadas pelo New York Times referiram que os preparativos do ataque já estão em marcha e que este será uma realidade. A acção militar poderá ser limitada a 1 ou 2 dias e consistirá no lançamento de mísseis tomahawk, a partir de navios norte-americanos estacionados no Mediterrâneo.
A operação terá como objetivo “dissuadir” e “degradar” a capacidade do governo sírio de promover ataques químicos e forçar o regime a negociações, não pretendendo derrubar Bachar el Assad.
Síria transformar-se-á num “cemitério de invasores” caso se confirme a intervenção militar
Primeiro ministro sírio afirmou não se deixar intimidar pela “ameaça colonialista” e adiantou que o país se transformará num “cemitério de invasores” caso se confirme a intervenção militar.
A equipa de investigadores da ONU que se encontra no terreno para apurar responsabilidades pelo suposto ataque com armas químicas apresentará no sábado os resultados preliminares da sua investigação, anunciou o secretário-geral da Organização, Ban Ki-moon.