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Revelações de Bolton complicam plano para julgamento rápido de Trump

O antigo conselheiro de segurança do presidente norte-americano prepara-se para lançar um livro onde acusa Trump de condicionar a ajuda militar à Ucrânia à investigação dos negócios da família do rival Joe Biden naquele país.
Trump e Bolton em 2018
Trump e Bolton em Bruxelas numa cimeira da NATO em 2018. Foto NATO/Flickr

As acusações de John Bolton a Donald Trump e à forma como tentou pressionar as autoridades ucranianas a investigarem suspeitas de corrupção por parte de Hunter Biden, filho de Joe Biden, na empresa Burisma – que controla boa parte do negócio do gás natural na Ucrânia – estão a agitar o processo de destituição do presidente.

A maioria republicana no Senado esperava ter um processo rápido pela frente que lhe permitisse absolver Trump em poucas semanas, mas a relevância destas acusações e do seu autor, que tinha acesso direto ao presidente, já levou alguns senadores republicanos a ponderarem votar pela chamada de novas testemunhas ao julgamento, tal como propuseram os democratas. Para que tal seja possível, é necessário o apoio de quatro senadores republicanos para formar maioria simples.

Mas para que Trump seja condenado, seria preciso uma maioria de dois terços no Senado, uma fasquia considerada inatingível, mesmo com estas novas acusações. O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, está a tentar impedir que mais elementos da sua bancada se juntem ao pedido para ouvir Bolton e novas testemunhas, o que tornaria o julgamento de Trump num processo sem fim à vista.

“Julgo que é cada vez mais provável que outros republicanos se juntem aos que, como nós, julgamos necessário ouvir John Bolton”, afirmou o senador e ex-candidato presidencial republicano Mitt Romney, que procura convencer mais colegas a juntarem-se ao pedido de audição de novas testemunhas.

O livro de John Bolton só será publicado em março, mas a sua versão preliminar já é do conhecimento dos conselheiros de segurança nacional desde o fim de dezembro. Bolton foi mais um dos membros do círculo próximo de Donald Trump a ser despedido através do Twitter, com o presidente a alegar que “discordava de muitas das suas sugestões”. Bolton respondeu na altura também através da mesma rede social, afirmando que pedira a demissão dias antes. Agora, Trump voltou a recorrer ao Twitter para refutar as acusações de Bolton.

Considerado um “falcão” na Casa Branca, Bolton defendia uma posição mais dura contra países como a Venezuela, Coreia do Norte ou Irão, incluindo ações militares. Para além de afirmar que Trump lhe terá dito que queria congelar a ajuda militar de 391 milhões de dólares à Ucrânia enquanto as autoridades daquele país não investigassem os negócios da família Biden, Bolton também dá conta da sua desconfiança acerca da relação de Trump com líderes autoritários como os presidentes da China e da Turquia, que passaria mesmo por favores pessoais, como o levantamento de sanções.

Seja ou não ouvido no julgamento da destituição de Trump, John Bolton já ganhou um lugar na lista de best-sellers da Amazon, que colocou o livro em pré-venda no dia seguinte às suas revelações terem vindo a público, ocupando a 17ª posição no top dos livros mais vendidos.

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