O coordenador do Bloco de Esquerda reuniu esta segunda-feira com a direção da UGT, no âmbito dos contactos com as centrais sindicais e os sindicatos no sentido de avaliar “as condições que existem para que a mobilização sindical se mantenha com grande intensidade”. E mais uma vez deixou o apelo à convergência de esforços das duas centrais, tendo em conta o exemplo da greve geral de dezembro enquanto “luta muito popular e transversal em termos sociais”.
Resposta à catástrofe
Apoios anunciados pelo Governo “só podem ser um ponto de partida”
Para José Manuel Pureza, “o reerguer-se deste país que está tão traumatizado não permitirá que o tema seja atirado para o mundo do esquecimento”. Até porque “a esta crise profunda de infraestruturas” irá acrescer “uma crise social gravíssima” em vários territórios do centro do país, porque as empresas de pequena dimensão “ficaram arrasadas e não têm capitalização para reerguerem-se”.
“A tempestade é um fator adicional para a fragilização das empresas e dos trabalhadores dessas empresas. É também por isso que é importante haver um clima de respeito pelos direitos de quem trabalha que impeça a desmotivação de quem está no mundo do trabalho. A desmotivação é o telhado que ficou arrasado, a empresa que ficou destruída. Se a isso o Governo acrescenta a desmotivação que decorre de condições de trabalho penosas, falta de pagamento de horas extraordinárias, eternização de precariedade, outsourcing que serve para despedir e contratar em condições mais desvantajosas para os trabalhadores, então o Governo bem pode clamar por motivação das pessoas, que elas vão ficar indignadas e isso é justo”, afirmou.
“Não há nenhum compromisso firme de reerguer infraestruturas decisivas”
Questionado sobre a resposta do Governo à tempestade da passada semana, Pureza diz que “o Governo respondeu tarde e a más horas a esta situação, com vídeos para as redes sociais e encenações por parte do ministro da Defesa, utilizando as Forças Armadas para esse efeito”. O coordenador do Bloco acrescenta que “as populações dos sítios mais devastados pela tempestade perceberam isso como ninguém” e que por isso “o clima de indignação é muito grande e muito justificado”.
Tal como afirmou na véspera, Pureza entende que o pacote de 2500 milhões de euros “só pode ser a primeira tranche” de um apoio público reforçado “à medida que haja uma inventariação mais fina” dos prejuízos.
Solidariedade
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As duas críticas à resposta do Governo são que “não há nenhum compromisso firme de reerguer infraestruturas decisivas” com recurso aos mecanismos europeus e à reprogramação do PRR, e que essa resposta “insiste numa abordagem individual, de cada um por si”, por entre “grande articulação com seguradoras privadas e insistência em moratórias”.
“Tudo isso é importante, mas é deixar a resolução da crise para as suas vítimas”, concluiu Pureza.