Segundo o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado esta quarta-feira, os rendimentos reais das famílias manter-se-ão em queda acentuada pelo menos até 2016. Esta tendência é justificada, essencialmente, pelos cortes salariais na função pública, pela alteração das regras de negociação salarial, pela diminuição do valor do subsídio de desemprego e pelo aumento generalizado dos preços.
A redução do poder de compra das famílias portuguesas irá traduzir-se na quebra, em 11%, da procura interna até 2013 e na manutenção da taxa de desemprego acima dos 10% pelo menos até 2015.
Os funcionários públicos estarão entre os mais penalizados pela diminuição do rendimento real.
O corte salarial a que foram sujeitos, aliado ao congelamento dos vencimentos e proibição das progressões na carreira, e o aumento dos preços resultam numa contracção dos rendimentos dos funcionários públicos de 12% entre 2010 e 2013. No caso dos rendimentos mais elevados, esta contracção pode atingir os 17%.
Os cortes no subsídio de desemprego terão dois tipos de efeitos. Se, por um lado, determinam directamente a diminuição do rendimento do desempregado, irão igualmente pressionar no sentido da redução dos salários.
No que respeita ao aumento dos preços, prevê-se, por um lado, a subida do valor do IVA de vários produtos, e, por outro, o aumento dos custos com a habitação, energia e transportes.