Menos de 24 horas depois da apresentação, com a presença do ministro, do estudo para a reforma hospitalar e este já conseguiu suscitar uma onda de críticas quase unânime. O documento, coordenado pelo ex-responsável por um buraco de 100 milhões de euros no grupo de saúde do BPN, defende a transferência de 2,5 milhões de doentes “não urgentes” das urgências para os centros de saúde, o reordenamento da rede hospitalar e a construção de mais um hospital (Todos os Santos, em Loures) em regime de parceria público-privada (PPP).
“Só pode fazer uma proposta destas quem não tenha a moção do que é uma urgência e das limitações da triagem”, acusou o bastonário da Ordem dos Médicos, em declarações à TSF. José Manuel Silva chama mesmo a atenção para os problemas que podem surgir por detrás do conceito de doentes “não urgentes”, dando o exemplo de um doente com uma dor no braço que vai parar à ortopedia quando a dor pode ser causada por um enfarte.
O défice de médicos de família, e o atraso na reforma dos cuidados de saúde primários, torna esta proposta impossível, diz a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral. “Seria como querer aterrar aviões onde não há aeroporto”, diz Rui Nogueira.
João Semedo, em conferência de imprensa marcada para o efeito, acusou o governo de assumir como suas as conclusões do relatório, quando marcou presença na apresentação do mesmo. Segundo o deputado do Bloco de Esquerda, o relatório tem como objetivo "justificar os cortes no SNS, escondendo que estes irão afetar significativamente a produção assistencial".
O relatório é "omisso" em questões essenciais, diz o deputado do BE lembrando que o mesmo "não retira uma única conclusão daquilo que ele próprio regista. Desde que há hospitais empresa nunca mais os gastos, a despesa e o desperdício deixaram de aumentar nos hospitais públicos".
"O estudo só tem uma vantagem: desmentir a afirmação insensata do ministro da Saúde de que há mais de mil médicos a mais nos hospitais públicos no SNS", concluiu o deputado do Bloco de Esquerda.