Reitor do Porto quer silenciar efeitos da crise

23 de maio 2012 - 12:43

Confrontado com a desistência de 10% dos alunos da Universidade do Porto no programa Erasmus, Marques dos Santos defendeu que "era importante esses números deixarem de ser notícia e aguardar que as coisas evoluam naturalmente". Esta terça-feira, dezenas de estudantes deixaram à porta do Reitor um envelope gigante com queixas contra os cortes no financiamento.

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Foto Ricardo Sá Ferreira.



«Estamos a contestar o que diz o ministro da Educação, que resumiu a alarmismo o abandono do Ensino Superior por razões económicas. Estamos aqui para dizer que há 10 mil estudantes que abandonaram o Ensino Superior devido ao corte nas bolsas de estudo», afirmou José Miranda, um dos participantes no protesto desta terça-feira à porta da Reitoria.



Mas o Reitor da Universidade do Porto não está de acordo que os problemas do país sejam levantados e denunciados por quem sobre os efeitos das políticas de austeridade. Em declarações que dão um sinal preocupante, para mais tratando-se do responsável máximo de uma universidade, Marques dos Santos resolveu apelar ao silêncio para "não criar mais problemas", uma vez que Portugal está "numa altura em que a psicologia é fundamental" e as "coisas depressivas" não ajudam a construir o país.



"Acho que se estivéssemos seis meses todos calados, não criássemos mais problemas do que os que já existem e deixássemos as coisas correr, daqui a seis meses, trabalhando, veríamos que as coisas até evoluíram melhor do que o que pensámos", afirmou Marques dos Santos, citado pelo JN no final da sessão comemorativa dos 25 anos do programa Erasmus.



"Já chega o problema que temos que é tão grave e estamos todos os dias a inventar novos números, coisas depressivas, os economistas a fazer previsões catastróficas que depois não se confirmam", lamentou o Reitor, ignorando que a realidade mostra que as previsões até têm pecado por defeito no que respeita ao aumento do desemprego e do abandono das universidades por parte dos jovens.



"Não temos aqui relatos de desistências fora do normal. Nem de alunos de Erasmus nem sequer de inscrições", garantiu o Reitor, indiferente às desistências registadas, que correspondem a mais de 10% das desistências a nível nacional. Por trás deste abandono está o baixo valor das bolsas Erasmus (285 euros), segundo as universidades e polítécnicos contactadas pelo JN.