O grupo de 50 economistas reconhecidos, como Tony Atkinson e David Marquand da Universidade de Oxford, Marcus Miller de Warwick e Richard Grayson da Goldsmiths, em Londres, afirma que se o primeiro-ministro britânico George Osborne mantiver a sua política, haverá "muito mais dor e um ganho muito menor".
Apelam a um ataque severo contra a evasão fiscal, uma política orientada para a produção industrial - incluindo o investimento em tecnologias "verdes" -, ao investimento na capacitação dos trabalhadores e a impostos mais elevados para os ricos. O objectivo é criar empregos e gerar crescimento. "Estes são os alicerces de uma verdadeira alternativa", defendem.
Segundo apontam, dados económicos recentes têm mostrado que o Governo britânico precisa de adoptar com urgência um “plano B” para a economia.
Desde que o Osborne expôs o seu plano para equilibrar as contas até ao final do seu mandato baseado no "orçamento de emergência" de há um ano atrás, o panorama deteriorou-se significativamente. O crescimento foi muito fraco nos últimos seis meses e têm surgido vários indicadores, como pouca confiança dos mercados e decréscimo no consumo, que vão semeando o medo de que o Reino Unido esteja a caminho de uma recessão, numa espécie de mergulho duplo, enquanto a recuperação dos EUA diminui e a crise da dívida grega abala a zona euro.
Os economistas dizem que o pano de redução “vertiginosa” do défice público assente em cortes drásticos, é “auto-destrutivo”.
Ver lista de signatários do apelo, publicada pelo jornal britânico The Guardian.
Greves e protestos anunciados para o final do mês
Contra o plano de austeridade do Governo britânico, os sindicatos estão a planear um dia de luta coordenado de greves e outras acções de protesto para 30 de Junho. Espera-se que um milhão de trabalhadores saia à rua em protesto contra o plano de cortes na despesa pública que implica uma redução acentuada do investimento público e dos apoios sociais.
Entretanto, o ambiente vai ficando tenso: sabendo que que se avizinham protestos, o Governo ameaçou com alterações à lei da greve e, de seguida, um dos maiores sindicatos britânicos, o GMB - Britain's General Union ameaçou que se tal for para a frente haverá lugar “à maior acção de desobediência civil de sempre”.
O secretário-geral do sindicato, disse que qualquer alteração ao direito de greve seria combatida “ferozmente”.
Paul Kenny deu o alerta depois do secretário de estado dos Negócios, Inovação e Competências, Vince Cable, dizer numa conferência do próprio sindicato, em Brighton, que as intenções de alteração da lei da greve se intensificariam com a chamada para uma greve generalizada.
“Se tentarem sufocar o direito fundamental dos trabalhadores à greve, vamos dar-lhes a maior acção de desobediência civil de sempre, algo que a vossas mentes pequeninas nem podem sonhar”
O GMB representa 700 mil trabalhadores do sector público e privado da indústria.