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RD Congo: reforma judicial ameaça partir o governo de coligação

O ministro da Justiça congolês Célestin Tunda foi detido no sábado e logo a seguir libertado depois de uma discussão com o presidente Tshisekedi. No centro da disputa está a proposta de reforma da Justiça contestada nas ruas pelos apoiantes do chefe de Estado..
Félix Tshisekedi
Foto de Paul Kagame | Flickr

De acordo com o Novo Jornal, aumenta a tensão no atual governo da República Democrática do Congo, formado por uma coligação entre o atual presidente Félix Tshisekedi e o partido do antigo presidente Joseph Kabila. O episódio do fim de semana teve como protagonista o atual ministro da Justiça, próximo de Kabila, e o seu projeto de reforma do sistema judicial, que deu origem a contestação nas ruas de Kinshasa, organizada pelo União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS) de Tshisekedi.

Os manifestantes protestam contra as alterações legais implementadas pela Frente Comum para o Congo (FCC), partido do antigo presidente Kabila, com o objetivo de mudar um sistema onde a justiça tem mais poder que as forças políticas. 

A disputa levou a um desentendimento entre Tshisekedi, presidente da RCD, e Célestin Tunda, ministro da Justiça, que culminou com a detenção deste último no sábado. Segundo a imprensa congolesa, foi libertado após ter sido ouvido pelo Ministério Público. A UDPS acusa a FCC de querer minar o sistema judicial e dar ao ministro da Justiça demasiado poder.

Apesar de ter vencido as presidenciais contra Kabila, o partido de Tshisekedi não conseguiu obter a maioria parlamentar que é detida pelo FCC, próximo do antigo presidente, e foram obrigados a governar em coligação. A maioria dos organismos internacionais acabaram por afirmar que as eleições de 2018 tinham sido fraudulentas, mas era a única solução possível para colocar fim à guerra civil que assolava o país.

Ainda assim, o antigo presidente Kabila mantém uma forte influência nos destinos do país, mas tem a decorrer vários processos judiciais devido a vários crimes, entre eles ter sido o responsável por milhares de mortes durantes os seus longos mandatos, entre 2001 e 2018.

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