Raios sem radiação
Isso porque a radiação T, ou terahertz, é absorvida pela água, o que significa que os tecidos moles do corpo humano também poderão ser fotografados por esses novos exames - e não apenas os ossos, como acontece com os raios X.
Como a energia da radiação eletromagnética com comprimento de onda na faixa dos terahertz é muito baixa, ela praticamente não danifica os materiais, principalmente os tecidos biológicos, o que permitirá criar exames médicos não-invasivos impossíveis com a tecnologia atual.
Tudo isso - e, eventualmente, também telemóveis que permitem ver através das paredes - agora ficou mais perto da realidade, graças ao trabalho da equipe da Dra. Mona Jarrahi, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
O grupo criou um aparelho emissor de raios Terahertz que é 50 vezes mais potente do que os melhores existentes até hoje.
E eles trabalharam também no outro lado do problema, construindo um recetor de raios T que é 30 vezes mais sensível do que a tecnologia atual.
Fazendo as contas, a tecnologia dos raios T ficou 1.500 vezes melhor, abrindo finalmente caminho para aplicações práticas realistas.
"Com o nosso sistema terahertz de alta sensibilidade, nós podemos ver profundamente nos tecidos biológicos, ou detetar pequenas quantidades de drogas ilegais e explosivas a grandes distâncias," disse a investigadora.
Funil de luz
A equipe de Jarrahi conseguiu o feito canalizando a luz de um laser para locais específicos, próximos dos elétrodos do dispositivo que alimenta a antena que transmite e recebe o sinal terahertz.
O laser gera ondas superficiais de eletrões, chamadas plasmas de superfície, que "carregam" os fótões de forma mais rápida e com menor perda.
"Quando você quer gerar ou detetar a radiação terahertz, você tem que converter os fótões em pares de lacunas e eletrões e, em seguida, rapidamente derivá-los para os elétrodos de contacto do aparelho. Qualquer atraso neste processo vai reduzir a eficiência do dispositivo. Nós projetamos uma estrutura tal que, quando os fotões a atingem, a maioria deles parece estar exatamente ao lado dos elétrodos de contacto," disse Jarrahi.
Segundo a equipa, os resultados ainda poderão ser otimizados, mediante o desenvolvimento de sistemas de afunilamentos da luz, ou funis óticos, mais eficientes.
Bibliografia:
Significant performance enhancement in photoconductive terahertz optoelectronics by incorporating plasmonic contact electrodes
C. W. Berry, N. Wang, M. R. Hashemi, M. Unlu, M. Jarrahi
Nature Communications
Vol.: 4, 1622
DOI: 10.1038/ncomms2638
Publicado no site Inovação Tecnológica