"Queremos saber por que é que o país está refém"

17 de dezembro 2011 - 2:08

A Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida promove este sábado a Convenção de Lisboa. A organização e o âmbito da auditoria estão em debate no cinema São Jorge, a partir das 10h. Ana Benavente é uma das promotoras e diz que receia encontrar "muita corrupção" quando a verdade das contas vier ao de cima.

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Cartaz da Convenção de Lisboa, dia 17 no cinema São Jorge

Acompanhada por Eric Toussaint e Costas Lapavitsas, Ana Benavente participou na sexta à noite no debate público sobre “O que é a Auditoria Cidadã à Divida?”. Em declarações à Antena 1, explicou os objetivos da auditoria cidadã à dívida que agora arranca em Portugal. "Queremos saber por que é que o país está refém - que é o sentido da palavra 'resgate' -, queremos saber quem é que se endividou, a quem é que se pediu, o que é que foi feito desse dinheiro, que juro pagamos - e qual é a parte do capital e qual a parte dos juros. Queremos saber também se houve comissões pagas e a quem e porquê, se houve fiscalização e avaliação".



Acima de tudo, explicou a ex-governante do PS, "queremos saber o que é que nos exigem que paguemos, destruindo as nossas condições de vida e mergulhando o país na desgraça".



A Convenção de Lisboa tem início no sábado de manhã e a ordem de trabalhos proposta inclui a apresentação, discussão e votação duma proposta de resolução para uma iniciativa de auditoria cidadã, bem como das propostas de alteração da mesma. Serão ainda apresentados, pelo grupo técnico do IAC, os aspetos gerais da dívida pública portuguesa e será apresentada e votada a proposta de comissão de auditoria.



Sobre o que poderá ser o resultado final deste trabalho, Ana Benavente diz que receia "encontrar muita corrupção, muita dívida que não veio para o bem público, que desapareceu".



Segundo o projeto de resolução em debate, esta iniciativa surge "na ausência de qualquer vontade por parte das autoridades de encarar o problema da dívida na ótica dos interesses dos portugueses no seu conjunto". Os promotores também consideram que "está mais que comprovado que a via da austeridade, subserviente aos mercados financeiros, não oferece soluções para nenhum problema, incluindo o do endividamento".

Noutra intervenção no debate de sexta-feira, o economista grego Costas Lapavitsas lembrou que "não precisamos de uma auditoria para entrar em incumprimento ou para cancelar a dívida", dando o exemplo da Argentina em 2001 que em 2001 entrou em bancarrota e duplicou o seu rendimento na década seguinte sem que se tenha feito qualquer auditoria à dívida. "Mas precisamos de uma auditoria se quisermos Democracia, se quisermos resolver o problema de forma democrática", concluiu Lapavitsas.