Muito se tem falado da classe política nos jornais, televisões, rádios como esta se tratasse de uma classe exterior às classes sociais históricas? Será mesmo verdade que a classe política está além dos antagonismos de classe (Proletariado e Burguesia) assim como os tagarelas querem fazer querer?
Sem uma grande reflexão das leis históricas aparentemente essa tese faz sentido, porém, como a ciência marxista é sempre melhor do que ilusionismo burguês, os resultados eleitorais só vieram confirmar que a lei da ciência marxista ainda prevalece, mesmo, nos tempos de hoje.
De qualquer modo, a grande surpresa das eleições para os tagarelas foi o facto do Bloco de Esquerda ter descido, numa quase queda livre, para um número de deputados mínimo. Mas qual é grande surpresa? Para os cientistas marxistas isso era cientificamente previsto.
Assim, o que aconteceu, e também como podemos observar, é que à medida que o capitalismo de mercado avança para estagnação e depressão (como assim os keynesianos, ou, economistas de mercado querem chamar) observa-se a incapacidade do Bloco de Esquerda, guiado por uma linha social-democrata, em resolver pacificamente os problemas sociais da classe proletária e do seu exército de reserva, também proletário e desempregado.
Portanto, nestas eleições os partidos assumidamente de classe subiram todos expressivamente. Por um lado, subiram expressivamente os representantes da burguesia que é o Partido Social Democrata, e o CDS-PP, ao alcançarem uma vitória da classe burguesa, atingindo uma expressiva maioria absoluta; e por outro lado subiram os partidos que reforçam cada um à sua maneira a linha marxista: o caso do PCP de linha revisionista que aumentou o número de votantes, mas não tanto expressivamente como o PCTP, que mantém firme a sua linha revolucionária.
Mas será isto apenas coincidência? Não necessariamente... à medida em que as contradições do sistema entram em agonia e os opostos crescem para níveis insustentáveis, mais cedo ou mais tarde os proletários e os desempregados, reforçam as linhas de luta concreta, abandonando as ilusões e os onirismos da social democracia (PS, BE). Quanto aos burgueses, e à enorme quantidade de desesperados pequeno-burgueses, reforçam a linha burguesa, na esperança que a economia resolva por si mesmo os seus problemas e permita aos pequeno burgueses a sua não passagem para o lado dos proletários. Para além disto, restam os abstencionistas e os votos nulos que na sua maioria representam uma miscelânia de anarquistas, de desiludidos, de indiferentes, de revoltados, somando-se ao anterior o facto dos cadernos eleitorais conterem um grande número de eleitores já mortos. O importante neste caso, é perceber que para lá desse véu, estes abstencionistas e votos nulos, são um sintoma de que os indivíduos sentem que o processo democrático burguês é uma farsa e que está perpetuamente doente. Contudo, relembramos que muitos destes indivíduos assim que a opressão objectiva se intensifique estará nas ruas, ao lado do proletariado, dentro do processo, e das manifestações frias e violentas que, mais cedo ou mais tarde, surgirão.
Em suma, o que está neste debate em causa é o futuro desaparecimento do BE, que se nada se fizer morrerá na agonia da luta entre sociais-democratas e no apego aos lugares dos burocratas. Assim a questão que os militantes revolucionários de base, devem debater e discutir, é se estão dispostos a avançar para a criação de um novo partido, ou, por outro lado, reforçar uma linha concreta, assumidamente marxista, assumidamente revolucionária, neste Bloco de Esquerda. Contudo para isso é necessário depurar e expurgar do nosso partido-movimento os elementos social-democratas, que em momentos de enfraquecimento político são os primeiros a vir para a linha da frente sabotá-lo e enfraquecê-lo, ao invés de tornarem este movimento num partido mais forte. Por outro lado, é necessário introduzir nos estatutos, a permissão para que os burocratas do partido-movimento possam ser afastados a qualquer altura dos seus cargos por uma simples votação de mão no ar nas sedes dos distritos. E para mim, são estas as questões que devem aqui ser discutidas, e postas em prática em convenção futura.
André Filipe Almeida Lourenço Capelo
Lisboa