Quebec: Funcionários públicos anunciam sete dias de greve

01 de dezembro 2023 - 14:39

Os professores do sistema de ensino em Francês do Quebec estão em greve por tempo indeterminado desde há uma semana, afetando 368.000 alunos. Depois de uma greve de três dias, os sindicatos da Função Pública anunciaram nova greve entre 8 e 14 de dezembro. Dizem que é a última antes de pasarem à greve ilimitada.

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Trabalhadores da Função Pública do Quebec num protesto em outubro. Foto da Frente Comum.
Trabalhadores da Função Pública do Quebec num protesto em outubro. Foto da Frente Comum.

A Frente Comum, grupo que agrega sindicatos da Função Pública do Quebec que representam cerca de 420.000 trabalhadores, anunciou esta terça-feira que marcou greve entre os dias 8 a 14 de dezembro. Será a greve mais longa dos trabalhadores deste setor nos últimos 50 anos.

Esta paralisação segue-se à greve de três dias que aconteceu na semana passada e que envolveu centenas de milhares de trabalhadores. Apesar de dizerem no mesmo documento que esperam ainda alcançar um acordo antes do período do Natal, os protestos poderão não ficar por aqui, pois acrescentam que “esta é a última sequência de greves antes de ser convocada uma greve geral ilimitada”. É aliás esse o mandato atribuído às direções sindicais pelas votações de outubro passado, nas quais 95% votaram a favor do plano de greves.

Os sindicatos representados na Frente Comum, Centrale des syndicats du Québec, Confédération des syndicats nationaux, Alliance du personnel professionnel et technique de la santé et des services sociaux e Fédération des travailleurs et travailleuses du Québec, olham para a greve da semana passada como um sucesso. Até porque provocou, na mesa de negociações “mais movimento nas últimas duas semanas do que tínhamos tido em todo o ano passado”, declarou François Enault, vice-presidente ds CSN, ao canal público canadiano CBC.

Apesar disso, a última proposta conhecida apresentada pelo Governo data do final de outubro e incluía um aumento de 10,3% em cinco anos, assim como um pagamento único de 1.000 dólares canadianos a cada trabalhador e um aumento do pagamento de trabalho noturno e em feriados. Os sindicatos contrapõem com uma proposta de acordo por três anos com aumentos salariais ligados à taxa de inflação e que, no primeiro dos anos, seriam de pelo menos 2% acima da inflação ou 100 dólares canadianos por semana no primeiro ano, seguidos de 3% e 4% acima da inflação nos dois anos seguintes. François Legault, primeiro-ministro do Quebec, veio na sequência da greve dizer que só aumenta mais os salários se houver flexibilização de horários de professores e trabalhadores do sistema de saúde.

Para além das questões salariais, também as condições de trabalho estão em causa nesta onda de greves com os dirigentes sindicais a sublinharem que “as nossas condições de trabalho não são aceitáveis, as nossas tarefas são pesadas demais, o que fazemos todos os dias não é suficientemente valorizado”.

Ao mesmo tempo, os 65.000 professores do sistema de ensino em Francês, representados pela Fédération Autonome de l'Enseignement, um grupo de oito sindicatos que não pertencem à Frente Comum, estão já em greve por tempo ilimitado desde a semana passada. De acordo com o Ministério da Educação do Quebec, esta paralisação está a afetar cerca de 800 escolas e 368.000 alunos. Exigem melhores salários, para não continuarem a perder dinheiro face à inflação, melhores condições de trabalho e turmas mais pequenas, entre outras reivindicações.

Na passada terça-feira outro sindicato, a Fédération interprofessionnelle de la santé du Québec, que, por sua vez, representa 80.000 enfermeiros e outros trabalhadores do setor da saúde, tinha também anunciado greve entre os dias 11 a 14 de dezembro.