Quase dois terços dos novos desempregados vêm do setor imobiliário

22 de agosto 2023 - 21:03

Em julho, o setor das atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio registou mais 5.932 desempregados inscritos no continente face ao mês homólogo, o que equivale a quase dois terços do aumento global, de 9.775.

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Foto de Paulete Matos.

De acordo com a Informação Mensal sobre Mercado de Emprego divulgada pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, I. P. (IEFP), no fim do mês de julho estavam registados, nos Serviços de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, 284 330 desempregados, face a um total de 445 559 pedidos de emprego.

O aumento do número de desempregados registados foi de 2,5% face ao mesmo mês de 2022 (+6 864) e de 2,4% (+6 588) face a junho deste ano. Os inscritos há menos de 12 meses tiveram um papel preponderante no aumento do desemprego registado.

O desemprego aumentou em todas as regiões, com exceção dos Açores e Madeira, e penalizou com particular gravidade a região Centro, se tivermos em conta o período homólogo, e as regiões do Norte e do Alentejo, se a comparação incidir sobre o mês anterior.

No que respeita aos grupos profissionais dos desempregados registados no Continente, ganham particular destaque os "Trabalhadores não qualificados" (27,3%); "Trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção segurança e vendedores" (19,6%); "Pessoal administrativo" (11,9%) e "Especialistas das atividades intelectuais e científicas" (10,8%) .

Do total de 245 864 desempregados que, no final do julho, estavam inscritos como candidatos a novo emprego nos Serviços de Emprego do Continente, 72,8% eram oriundos do setor dos "Serviços", especialmente de "Atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio", (32,7%); 20,1% vieram do setor "Secundário", com particular relevo para a "Construção" (6,4%);  4,6% pertenciam ao setor "Agrícola".

No Continente, o setor das atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio registou um aumento em 5.932 de novos desempregados inscritos em termos homólogos no continente, o que equivale a quase dois terços (60,7%) do aumento global. Já face a junho de 2023, existiu um acréscimo de 1.916 no número de desempregados inscritos no Continente no setor imobiliário.

"Há alguns setores que estão mais vulneráveis aos impactos das alterações à política monetária, nomeadamente as atividades imobiliárias, devido ao aumento dos juros, que se refletem no mercado da habitação", afirmou Paulo Marques, professor do Departamento de Economia Política do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e coordenador do Observatório do Emprego Jovem, em declarações à agência Lusa.

O economista considera que os dados do desemprego registado no continente revelam "um peso grande deste setor, muito afetado pelo atual contexto, nomeadamente as pessoas que trabalham nas agências imobiliárias".

Ainda que setor imobiliário tenha crescido muito em Portugal desde 2016, agora, "com a dificuldade no mercado interno de acesso ao crédito, está a ser bastante afetado", frisou Paulo Marques.

Ao longo do mês de julho de 2023, inscreveram-se, nos Serviços de Emprego de todo o País, 42 187 desempregados.  Este número é superior ao observado no mesmo mês de 2022 (+5 406; +14,7%) e face ao mês anterior (+3 877; +10,1%).

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