Quadros da TAP recebem 450 euros mensais por perda de BMW

09 de janeiro 2023 - 16:23

Empresa pública gasta mais de 35 mil euros por mês para compensar quadros da TAP pela não renovação da frota automóvel com veículos da marca BMW. O cheque mensal de 450 euros é destinado a viagens na plataforma Uber. Sindicato insiste em auditoria à gestão da TAP.

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Foto Oliver Holzbauer/Flickr

De acordo com o Correio da Manhã e Dinheiro Vivo, 79 diretores e administradores da TAP recebem mensalmente um cheque de 450 euros para realizarem viagens na plataforma Uber. Este valor, que ascende a um valor total global de 35.550 euros mensais, tem como finalidade compensar estes quadros pela não renovação da frota da empresa.

"Tal como já foi publicamente anunciado, a TAP está a rever a sua política interna de mobilidade, pelo que essa [cheque de 450 euros] é uma solução transitória", explica a transportadora.

Em outubro do ano passado, a TAP encomendou 50 automóveis da marca BMW para substituir a atual frota Peugeot, argumentando que esta decisão se traduziria numa poupança anual de 630 mil euros.

"A Comissão Executiva quer esclarecer que a TAP dispõe de uma frota automóvel corporativa para a administração e diretores, em regime de renting operacional. Com a opção que fizemos, estamos a poupar anualmente até 630 mil euros, se tivéssemos mantido os carros que temos hoje", apontou a empresa.

A TAP acrescentou ainda que esta opção representaria uma poupança "superior a 20% do valor mensal da renda e tributação, relativamente a novos contratos de renting para viaturas com características semelhantes às atuais (gasóleo), estando em linha com o plano de reestruturação uma vez que representa o menor custo possível em sede de concurso no mercado", apresentando "também melhores prazos previstos para entrega das viaturas".

Entretanto, e perante a polémica levantada pela decisão, a empresa informou que “a Comissão Executiva da TAP compreende o sentimento geral dos portugueses e, apesar da decisão que tomou quanto à frota automóvel ser a menos onerosa para a companhia nas atuais condições de mercado, a TAP procurará manter a atual frota durante um período máximo de um ano, enquanto reavalia a política de mobilidade da empresa".

Sindicato insiste em auditoria à gestão da TAP

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) considera que “a notícia hoje divulgada pelo jornal Correio da Manhã sobre a compensação de 450 euros para diretores da TAP que ficaram sem BMW, para utilizarem na plataforma Uber, é apenas mais um ato lamentável que se vem juntar a todos os outros já denunciados pelo SPAC".

A estrutura sindical defende, "mais uma vez”, a realização “urgente de uma auditoria à gestão da TAP e a rápida conclusão do relatório da IGF [Inspeção-Geral de Finanças]".

"Mais uma vez, estamos perante um ato de gestão que revela uma incoerência e um desnorte total por parte desta administração e que leva a TAP, consecutivamente, para as manchetes dos jornais pelos piores motivos", sublinha o SPAC.

O Sindicato exorta o novo ministro das Infraestruturas, João Galamba, a "arrumar a casa rapidamente, na defesa dos interesses da TAP, dos seus trabalhadores, do país e dos contribuintes".

De acordo com o SPAC, somam-se a esta decisão "processos de indemnizações com cálculos mal explicados, as mentiras à CMVM e aos trabalhadores, as contratações consecutivas e duvidosas de quadros para a companhia, as encomendas dos carros depois suspensas, a mudança de instalações, os cortes salariais que não foram aplicados à CEO [presidente executiva] e elementos da administração (enquanto os restantes trabalhadores mantêm cortes de 25%)".

"Do ponto de vista da ética e legitimidade destas medidas, consideramos que enquanto houver trabalhadores com perda de condições, não deveria haver melhoria nas condições de outros, sem que tenha havido uma renegociação das suas condições de trabalho, tal qual está a ser imposto aos restantes trabalhadores com a denúncia dos seus acordos de empresa", escreve a estrutura sindical.

O SPAC escreve ainda que a administração "demonstra uma falta de sensibilidade para gerir pessoas". E sublinha que “os valores que os detentores de cargos de direção estão a receber para se fazerem transportar, poderá servir no futuro, de exemplo e bitola para os demais, pois os custos com transportes são os mesmos, independentemente da função que se ocupa".