Reconstrução

Pureza quer PTRR a “libertar o país da monocultura do turismo”

20 de fevereiro 2026 - 17:26

Coordenador do Bloco de Esquerda reagiu à apresentação das linhas mestras do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência e diz que o partido vai contribuir para esse debate nacional.

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José Manuel Pureza em Viseu
José Manuel Pureza em Viseu. Imagem SIC

O primeiro-ministro apresentou esta sexta-feira as linhas gerais do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), que pretende mobilizar meios para reconstruir os territórios devastados pela depressão Kristin e as tempestades que se seguiram. Luís Montenegro começou por afirmar que não definiu um montante do investimento necessário, o que fará depois de uma fase de “auscultação nacional”, que inclui os partidos políticos.

Na reação a este anúncio, à margem de uma visita a um centro de apoio a pessoas com Alzheimer e outras demências, em Viseu, José Manuel Pureza disse aos jornalistas que Montenegro “fez bem em não colocar um teto orçamental para este efeito”, dado que “é preciso que haja propostas consistentes e a mobilização de todos os fundos, incluindo dinheiro comunitário, para a reconstrução de uma parte do país que ficou totalmente devastada”.

Para o coordenador bloquista, os investimentos do PTRR  nos territórios que vão ter de ser reconstruídos devem contribuir para que “se liberte o país da monocultura do turismo, das monoculturas em geral e que haja um investimento sério na robustez quer das infraestruturas quer das comunidades”.

Só essa escolha de prioridades a médio e longo prazo levará a que a construção a financiar com estes fundos “não caia nos mesmos vícios de fragilidade que nos conduziram aqui”, prosseguiu Pureza, dando os exemplos de “construir em leitos de cheia ou fazer unidades económicas que não têm nada a ver com a robustez do tecido económico”. Para cumprir o objetivo de “construir com resiliência”, expressão também usada pelo primeiro-ministro, “é preciso ter uma visão estratégica que este governo não tem tido” e o Bloco está disponível para contribuir para o debate nacional com as suas propostas.

Pureza considerou ainda “magnífico” que Montenegro tenha dito que será necessária uma partilha de responsabilidades no financiamento, esperando que isso queira dizer “que a maioria do costume, ou seja, quem trabalha, não fique com a fatura toda. É preciso que grandes empresas, concessionárias de autoestradas e de comunicações façam a sua parte”, defendeu o coordenador do Bloco de Esquerda, dando o exemplo da cobrança de portagens das auto-estradas nas zonas afetadas e da cobrança de IMI das casas destruídas como situações que “não fazem nenhum sentido”
 

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