Atraso nos apoios

Pureza aponta “falta de empatia e decência” ao ministro Castro Almeida

03 de fevereiro 2026 - 15:12

Para desvalorizar o atraso nos apoios, o ministro da Economia diz que “é suposto” as vítimas da tempestade “terem tido o ordenado do mês passado”.

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Castro Almeida
Castro Almeida

A “resposta imediata” prometida pelo Governo para ajudar as vítimas da depressão Kristin ainda não chegou às populações afetadas e não deverá chegar antes do fim de fevereiro. Questionado sobre como podem essas pessoas fazer face às despesas para reparar as suas casas, o ministro Castro Almeida respondeu que terem “é suposto terem tido o ordenado do mês passado”.

As palavras do ministro causaram indignação ao coordenador do Bloco de Esquerda, que reagiu nas redes sociais. “Perante a catástrofe e a falta de apoios, um ministro lembrou-se dizer às pessoas para usarem o seu ordenado. À maioria das pessoas falta salário para as despesas de um mês normal. Ao ministro Castro Almeida falta apenas empatia e decência”, afirmou José Manuel Pureza.

Entrevistado pelo canal Now este terça-feira, José Manuel Pureza insistiu que pacote de 2.500 milhões para apoiar as populações afetadas pela tempestade “só pode ser a primeira tranche”, dado que “a avaliação vai continuar a a cada hora que passa vão-se identificando mais prejuízos”.

Pureza voltou a apelar à articulação com entidades europeias, lembrando que nos incêndios do verão passado “o Governo não ativou atempadamente os mecanismos europeus” e isso causou “prejuízo para as populações”.

“Para lá dos mecanismos de apoio imediato que já deviam ter sido ativados, é necessário reprogramar fundos estruturais e recalendarizar o PRR”, propôs o coordenador bloquista, considerando que “se há momento em que é inaceitável que não se ponham em prática investimentos essenciais para a robustez da economia local, este é esse momento”.

Vídeos de autopromoção durante a tempestade: “Um Governo responsável não se comporta assim”

“Estamos a lidar com comunidades em que muitas pequenas empresas e microempresas ficaram totalmente destroçadas quer no seu equipamento físico quer na sa capacidade de produzir ou oferecer serviços”, prosseguiu Pureza.

Questionado sobre o facto de não ter sido ativado o mecanismo europeu de proteção civil com a justificação de que ainda há meios nacionais por utilizar, Pureza respondeu que tem a certeza de que “o patamar mínimo já foi atingido”, bastando para isso olhar “para a devastação do território e a crise profunda de equipamentos e infraestruturas”.

A comunicação do Governo durante a crise também é alvo de críticas por parte do Bloco de Esquerda, ao considerar “absolutamente inqualificável que no momento em que o país estava a ser devastado por uma tempestade tenha havido membros do Governo que se tenham dedicado ao entretenimento com vídeos para o TikTok de autopromoção”. A referência é aos vídeos publicados por Leitão Amaro e Nuno Melo, “que aliás instrumentaliza as Forças Armadas para criar um cenário que causa indignação às populações locais”, afirmou Pureza, concluindo que “um Governo responsável não se comporta assim”.
 

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