A direção federal do Partido Socialista Operário Espanhol anunciou que abriu um processo de expulsão de Carlos Mulas-Granados, demitido do cargo de presidente da Fundação Ideas, um think tank do partido, depois de se ter sabido que a fundação pagara mais de 50 mil euros a uma falsa colunista, Amy Martin, que seria o próprio Mulas ou a sua mulher.
Fontes do PSOE disseram à agência EFE que a executiva do partido entende que houve uma “quebra total” de confiança em Mulas e que a sua atuação foi “muito grave”.
A abertura do processo inicia um período de alegações, em que Mulas poderá defender-se, antes da decisão final.
Recorde-se que Carlos Mulas é coautor do relatório do FMI intitulado “Repensar o Estado”, em que propõe medidas de destruição do Estado Social português, com cortes drásticos na Função Pública, nas pensões, nas transferências sociais, na Educação e na Saúde.
O processo de expulsão, porém, não está relacionado com estas propostas, e sim com o facto de o economista, que como diretor ganhava mais de 5.500 euros mensais, ter contratado uma suposta colunista que assinava como Amy Martin para escrever artigos que, em média, foram pagos a 3.000 euros cada.
Na quinta-feira, a mulher de Carlos Mulas, Irene Zoe Alameda, assumiu ser a responsável pela criação do pseudónimo Amy Martin e que foi contratada diretamente pelo Departamento de Comunicação da Fundação Ideas, sem o conhecimento do seu marido.
A Fundação quer agora a devolução de todas as quantidades faturadas nos anos 2010 e 2011 em nome de Amy Martin”. Segundo o El Mundo, Mulas terá chegado a referir-se à colunista deste modo: “Creio que é uma analista política, só a vi uma vez”.