A Comissão Política do Partido Socialista aprovou a proposta do secretário-geral, António José Seguro, para que a bancada do PS se abstenha na votação no Orçamento do Estado para 2012. A proposta obteve 68 votos a favor, 22 contra e duas abstenções. Seguro invocou, para defender a decisão, que o PS é um partido responsável e não de protesto, e que, com ele à frente do partido, o acordo com a troika não será rompido.
Na reunião, Seguro informou que manteve conversações com o governo sobre o Orçamento, e que estas incluíram Pedro Passos Coelho. Os contactos entre a direcção do PS e o governo PSD/CDS intensificaram-se "nos últimos tempos", disse Seguro, tendo em vista a obtenção de esclarecimentos sobre o teor da proposta de Orçamento.
A decisão suscitou muita polémica, encontrando a oposição de António Costa, de Pedro Silva Pereira, dos três membros do grupo de trabalho para a análise do Orçamento – Pedro Nuno Santos, Pedro Marques e João Galamba, e ainda de deputados como José Lello, Sérgio Sousa Pinto, Fernando Serrasqueiro ou Eduardo Cabrita.
Segundo apurou a Lusa, o ex-ministro Pedro Silva Pereira fez uma intervenção dura contra o teor da proposta de Orçamento para 2012, colocando em causa o cenário macroeconómico delineado pelo documento, e defendeu que os socialistas deveriam rejeitá-lo.