Segundo o dirigente bloquista, Cavaco Silva, ao chamar à mesa das negociações PS, PSD e CDS-PP pretendeu "dar ao Governo a força que já não tinha para continuar a impor à força a política de austeridade, do memorando e da 'troika'".
"O que é lamentável é que haja quem se tenha prestado a dar esse balão de oxigénio ao Governo", referiu.
O coordenador nacional do Bloco de Esquerda lembrou, inclusive, que não foi por falta de alternativas que o PS aceitou negociar com o PSD e com o CDS-PP, já que o Bloco propôs tanto ao PS como ao PCP a abertura de um processo de discussão e aprovação das bases programáticas de um governo de esquerda.
Ao recusar a realização de eleições legislativas antecipadas, o Presidente da República "arrastou o país para uma crise", avançou ainda João Semedo, adiantando que não sabe como é que Cavaco Silva "vai sair do imbróglio que ele próprio criou".
"Tivesse Cavaco Silva demitido o Governo há três semanas e chamado a democracia a resolver o problema e provavelmente não continuaríamos nesta indefinição sem saber como é que o país, do ponto de vista político, estará amanhã e na próxima semana", frisou.
No que respeita ao resultado para o Bloco nas próximas eleições autárquicas, João Semedo afirmou estar confiante num bom resultado, não só porque o partido tem "bons candidatos", mas também porque "já ninguém pode com a direita, com Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Já ninguém aguenta esta gente".