O Ministério da Educação lançou um “Guia para a realização das provas-ensaio” com o intuito de concretizar a proposta de provas de final de ciclo (4.º, 6.º e 9.º anos). Estas deverão realizar-se em fevereiro e terem um caráter de exames nacionais com um Júri Nacional de Exames a enviar às escolas as normas de organização e estas a terem de constituir “secretariado de exames” e indicar vigilantes e classificadores.
Só que do ponto 9.4 do documento consta que “a classificação dos itens das provas-ensaio compete à bolsa solidária de professores classificadores, organizada em cada agrupamento do JNE e constituída pelos professores previamente indicados pelos diretores dos agrupamentos de escolas, escolas não agrupadas e estabelecimentos do ensino particular e cooperativo e que estejam a lecionar o ano de escolaridade em que se aplica a prova-ensaio”.
Isto significa mesmo que se constitui aquilo a que se chama uma “bolsa solidária de professores classificadores” feita através de professores que foram “previamente indicados pelos diretores”.
Trata-se assim de mais uma tarefa que acresce à carga de trabalho. A Fenprof, que “discorda profundamente” das provas, considera isto “caricato” e questiona “uma bolsa solidária com quem ou com quê? Com as políticas e a obstinação do governo em realizar provas e exames desde o 1.º Ciclo?”
A federação sindical fala ainda numa “verdadeira aberração” e considera esta tarefa como trabalho extraordinário, ao contrário do governo. Assim, no seu comunicado, anuncia que irá acrescentar a “que nada tem de solidário e tem tudo de trabalho forçado, à lista de atividades que, ao longo do mês de fevereiro, faz parte dos pré-avisos à greve ao sobretrabalho”.
Para a direção sindical, a situação prova que a tutela “não respeita o trabalho dos profissionais”.