Protestos contra as portagens nas SCUT

07 de dezembro 2011 - 16:57

O Movimento Anti-Portagens do Algarve realiza hoje uma ação de “luto pela morte do Algarve”, concentrando-se a partir das 18h em frente ao Fórum Algarve. A associação de motoristas de pesados diz que portagens podem pôr em causa 30.000 postos de trabalho e que vão “tentar convencer os motoristas de pesados a parar” no primeiro dia da cobrança de portagens.

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Para o protesto de hoje contra as portagens na Via do Infante, o movimento anti-portagens apela às pessoas a que participem na concentração, vestidos de negro e com velas, para o “enterro simbólico do Algarve”. João Vasconcelos, da comissão de utentes da via do infante, justificou à Lusa a ação dizendo que “se as portagens vingarem, então isso significará a morte do Algarve”.

Segundo a agência Lusa, o movimento contra as portagens na Via do Infante, constituído pela Comissão de Utentes da Via do Infante, os movimentos Não às Portagens na A22 e Com Faro no Coração e o Motoclube de Faro – pretende com a ação de hoje “simbolizar o enterro do desenvolvimento económico e social da região” que a introdução das portagens vai implicar.

O movimento que acionou uma providência cautelar contra a introdução de portagens na região, diz que se encontra em contactos com os “vizinhos espanhóis da Andaluzia” e afirma que vai radicalizar as formas de luta até à suspensão de pagamentos na A22.

Por sua vez, a Associação dos Motoristas Internacionais e Nacionais de Pesados diz que 30.000 postos de trabalho podem estar em causa com a instalação de portagens nas SCUTs e apela aos motoristas a que parem em protesto.

“Serão entre 20 a 30 mil os postos de trabalho que irão à vida” disse à Lusa Orlando Cruz, da associação, que argumentou: “Não somos contra que quem quer andar em boas estradas as pague. Somos contra que quem não quer pagar as estradas não tenha outra alternativa”.

Orlando Cruz critica o governo por não ter em conta os custos do gasóleo e das portagens e afirma: “Continua [o governo] a criar medidas para fazer a vontade à ‘troika’ e não se lembra que vivemos em Portugal e que somos povo”.

O dirigente da associação dos pesados afirma que a situação que está a ser criada “não acontece em mais nenhum país: Espanha e França têm portagens, mas têm alternativas. Só não tem alternativas o desgraçado do português”.

A partir de quinta-feira, quatro autoestradas SCUT vão passar a ser pagas: a A23 (entre Torres Novas/Abrantes e a Guarda), a A24 (entre Vila Verde/Chaves e Arcas-Estrada Nacional 2), a A25 (entre Aveiro e Vila Formoso) e a A22 (entre Lagos e Castro Marim/Vila Real de Santo António).