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Protesto contra a exploração de urânio junto à fronteira

Junto à barragem de Saucelle, a seis quilómetros de Freixo de Espada à Cinta, realizou-se neste sábado novo protesto contra a abertura da mina de urânio de Retortillo, na província espanhola de Salamanca.
Concentração Ibérica Antinuclear contra as minas de urânio em Salamanca, 19 de janeiro de 2019 – Foto de Miguel Pereira da Silva/Lusa
Concentração Ibérica Antinuclear contra as minas de urânio em Salamanca, 19 de janeiro de 2019 – Foto de Miguel Pereira da Silva/Lusa

Segundo a Lusa, na ação participaram cerca de duas centenas de pessoas provenientes de Portugal e de Espanha. Os manifestantes fizeram um cordão humano e gritaram palavras de ordem contra a abertura da mina.

Nuno Sequeira da Quercus afirmou:

"Achamos que estes projetos de exploração de urânio a céu aberto não são o futuro para esta região, são iniciativas que têm muitos impactos no meio ambiente, a começar pela contaminação dos recursos hídricos que poderão chegar ao rio Douro. E são também projetos que terão impactos negativos na biodiversidade e na saúde pública".

O ambientalista referiu que o atual Governo espanhol é mais sensível às questões ambientais, mas salientou que os projetos de exploração de urânio a céu aberto têm de ser definitivamente cancelados, pois só assim se poderá evitar que haja outro Governo que queira reativar estes projetos.

Nuno Sequeira referiu que o projeto Retortillo-Santidad, continua com maquinaria no local da exploração e com estaleiros e escritórios montados, "contudo não tem autorização para avançar com o projeto porque não há licença para a construção de um armazém de concentrados, mas a empresa continua no local à espera ".

José Ramón Barrueco da plataforma espanhola Stop Urânio referiu que há problemas de convivências entre as populações vizinhas do local da mina, já que uns defendem o empreendimento e outros não.

"A maioria das pessoas está contra a instalação da mina. Contudo, há outros estão favor, já que foram iludidos com a criação de posto de trabalho, já que a empresa manipulou as pessoas com a possibilidade de que sirvam de escudo contra os que não querem o empreendimento no território", disse.

A presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, Maria do Céu Quintas, esteve e disse à Lusa que nunca foi contactada oficialmente sobre esta problemática. "O que vou sabendo é pela comunicação social e pelos movimentos ambientalistas", vincou.

António Minhoto, dirigente da Associação Ambiente em Zonas Uraníferas, também presente no protesto, apontou que em Portugal também há problemas com 66 minas de urânio que deixaram de laborar há mais de 40 anos e ainda continuam a ser um problema ambiental.

“Minas que fecharam há mais de 40 anos ainda continuam a ter um impacto negativo no ambiente provocado por águas radioativas que é preciso controlar e isso anda não foi feito devidamente” alertou o antigo mineiro, que criticou o Estado português que havia garantido que em 2018 estaria tudo encerrado, o que aconteceu e agora tem como prazo 2022.

A manifestação foi organizada pela Plataforma espanhola Stop Uranio de Salamanca e as associações portuguesas Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza e AZU - Associação Ambiente em Zonas Uraníferas, tendo o apoio do Movimento Ibérico Antinuclear, da Coordenadora "No a la Mina de Urânio" e da ATMU - Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio.

No vídeo (ver abaixo) que publicou na sua página no facebook, Carmo Bica escreveu: “Na fronteira entre Portugal e Espanha, justamente a meio do rio Douro, Portugueses e Espanhóis não abrandam a luta contra a energia nuclear e a exploração de urânio em Retortillo”.

 

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