Proposta de Carta Hospitalar encerra mais serviços

05 de junho 2012 - 23:00

Estudo da Entidade Reguladora da Saúde, divulgado na última sexta-feira, propõe a extinção de valências em 26 hospitais públicos. Bloco acusa ministro de “reduzir o SNS a serviços mínimos”.

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Marcar uma consulta num centro de saúde é cada vez mais difícil, diz João Semedo. Foto de Paulete Matos

Pelo menos 26 hospitais públicos vão ter encerrados serviços, se o Ministro da Saúde aceitar as recomendações para a Carta Hospitalar alinhadas num estudo da Entidade Reguladora da Saúde, divulgado na última sexta-feira. Num universo de 95 hospitais, estes 26, sobretudo na periferia, poderão fechar o internamento nas especialidades de medicina interna, cirurgia geral, pediatria e infectologia. Sugere-se igualmente a extinção da especialidade da neurologia em vários deles.

Os hospitais mais atingidos são o da Póvoa do Varzim, seguido dos de São João da Madeira, Ovar, chaves, Mirandela, Águeda, Torres Novas, Castelo Branco, Guarda e Barreiro, vendo todos eles encerradas duas valências. Os restantes são afetados numa especialidade.

O ministro disse ao Expresso que “o Ministério poderá solicitar novas avaliações e propostas.” Paulo Macedo afirmou que o estudo da ERS “está longe de ser uma carta hospitalar, apesar de ser um contributo positivo que vai ser tido em conta”. O ministro disse que este estudo irá ser discutido, seguindo a mesma metodologia do grupo de trabalho da reforma hospitalar, sendo depois objeto de discussão pública e entregue às Administrações Regionais de Saúde (ARS) com vista a “estabelecer progressivamente uma carta hospitalar”.

Por outro lado, Paulo Macedo disse que é preciso verificar qual “será a viabilidade económica desta proposta”. E acrescentou: “Depois de todos estes aspetos estarem discutidos serão tomadas decisões políticas”.

Tudo está a piorar

Para o deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda, não podiam ser mais claros os propósitos de Paulo Macedo: reduzir o SNS a serviços mínimos, poupar com a saúde dos portugueses, obrigar os doentes a pagar do seu bolso o seu próprio tratamento, alargar o negócio dos privados na saúde.

João Semedo afirma que a realidade desmentiu aqueles que defendiam que o ministro conseguiria cortar mil milhões de euros no orçamento do SNS sem que o acesso aos cuidados de saúde e sua qualidade fossem minimamente beliscados. “A realidade desmentiu-os. Os meses foram passando e nada melhorou”, aponta o deputado bloquista. “Ao contrário, tudo começou a piorar: as listas de espera recomeçaram a crescer, marcar uma consulta num centro de saúde é cada vez mais difícil, os exames estão muito mais atrasados e demorados”.

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