Ao introduzir o debate sobre o projeto de programa, Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, afirmou que se trata de um texto “que vai ao essencial, feito com as convicções e as propostas que nos preparam para os combates políticos que, sendo os mais difíceis, são também os mais importantes e os mais exigentes”.
Lembrando que a postura básica do Bloco é ser a esquerda de confiança, o deputado assegurou que o partido representa a esquerda “que sabe ao que vem, que se lembra das suas palavras e que no seu programa tem um contrato com todas e todos os que depositaram em nós confiança”.
Num momento em que o primeiro-ministro mente até em relação ao que disse e fez, o Bloco de Esquerda não se esquece, “não criamos mitos urbanos e não damos o dito por não dito logo a seguir às eleições”.
Nem os do tudo igual, nem o do tudo parecido
Para Pedro Filipe Soares, “o PSD e o CDS, numa apresentação falhada do programa eleitoral, disseram o óbvio: não têm nada de novo a propor ao país. Aquilo que propõem é que nos próximos quatro anos, se continuarem no governo, tudo ficará igual”.
Por outro lado, o PS, depois de apresentar o seu programa eleitoral várias vezes recauchutado ao longo do último mês, veio dizer que se o PSD e CDS querem que fique tudo igual, o PS vem dizer que quer que fique tudo parecido. “Não rompe com o Tratado Orçamental e com a austeridade que lhe está inerente, garante que vai continuar a cortar os salários e as pensões mesmo quando dizia que em 2013 esses cortes eram inconstitucionais e mesmo contra a decisão do Tribunal Constitucional, garante que a precarização da sociedade se vai manter e até aceita subsidiar os salários mais baixos, desonerando quaisquer responsabilidades sociais das empresas do grande capital, aqueles que deveriam pagar melhores salários”.
Por isso, adiantou o líder parlamentar do Bloco, entre aqueles que querem que tudo fique igual e aqueles que querem que tudo fique parecido, o Bloco tem um verdadeiro programa de mudança. “Nós não apoiaremos medidas para agravar o desastre económico que promove o desemprego ou agrava as desigualdades”.
Prioridade é criar emprego
O programa tem uma prioridade: criar emprego, responder ao desemprego. “Sabemos que para criar emprego temos de dar salário às pessoas e que o salário se faz daquilo que recebemos ao fim do mês, mas também daqueles direitos que temos no Estado social”, disse o líder parlamentar do Bloco. “Sabemos bem que o Estado social como um todo é também parte do salário indireto que está a ser cortado”, sublinhou.
Sobre a Europa, explicou Pedro Filipe Soares, ao contrário daqueles que como o PSD e o CDS se põem de joelhos, ou daqueles que olham para a Europa, como o PS, que se colocam de mão estendida, “nós dizemos que somos os do europeísmo insubmisso. Somos aqueles que dizem que a Europa se fez dos povos e não dos tratados. E por isso, as chantagens como a que agora vemos de forma vergonhosa ser feita na Grécia, dizemos que o povo português não mais será humilhado”, disse, sublinhando que o Bloco propõe referendar o Tratado Orçamental. “Democracia contra o Tratado Orçamental, contra os interesses instalados, contra esta ideia de que há uns poucos que sempre podem mandar e há uns muitos que têm de ser submissos”.
O programa aborda também as respostas à destruição dos direitos do trabalho. “Sabemos bem que o desemprego não é só uma consequência da política de austeridade, é também um resultado pensado, previsto e contemplado para que essa política de austeridade possa ser apresentada como inevitável ao país”.
O programa debate também o Estado social, a Justiça, e finalmente o debate sobre como se reconstrói o país, entre outras medidas desprivatizando aquilo que este governo privatizou.
Síntese
Numa síntese, as palavra-chave do programa são a Justiça e o Respeito. Justiça para quem trabalha, para quem deve ver os seus direitos respeitados.
Prioridade: criação de emprego e devolver tudo o que a austeridade retirou às pessoas, do ponto de vista material e também do ponto de vista dos direitos, “porque a vida faz-se de direitos e dos seus exercícios”.
E combate. “Combate essencial nos próximos anos: pôr fim à austeridade e às desigualdades, garantir que a austeridade será conjugada no passado e não no futuro do nosso país”.