A deputada e porta-voz do Bloco de Esquerda começou por apresentar três participantes que não são membros do partido, mas que foram convidadas e aceitaram dar o seu contributo ao debate da Conferência, dedicada a debater o programa do Bloco para as próximas eleições. Trata-se de Jorge Leite, “um académico que se tem posto ao serviço das lutas coletivas”, especialista em questões de trabalho e contratação coletiva; Manuel Carlos Silva, cuja voz tem-se elevado em defesa da escola pública e do Estado social; e Pedro Bingre, “uma das vozes mais fortes contra a especulação imobiliária”, que denuncia o “assalto legal ao nosso território”.
Participantes vêm das lutas essenciais do país
Evocando os tempos em que estudou em Coimbra, Catarina Martins recordou que uma das primeiras perguntas que um recém-chegado à cidade ouvia era: “de onde é que vens?” Trazendo a mesma pergunta aos participantes da conferência, a porta-voz do Bloco respondeu que naquele auditório estavam aqueles que vêm das lutas essenciais em todo o país, “da luta pela dignidade das pessoas”, e por isso “aqui somos todos homens e mulheres de cabeça erguida”.
Catarina Martins sublinhou a importância das mobilizações anti-austeridade que têm ocorrido nos últimos dias na Europa, das quais destacou a manifestação de dezenas de milhares em Londres.
Por outro lado, Catarina Martins sublinhou a importância das mobilizações anti-austeridade que têm ocorrido nos últimos dias na Europa, das quais destacou a manifestação de dezenas de milhares em Londres, recordando que Portugal também entra nessa corrente de mobilizações na segunda-feira, numa concentração convocada para o Largo Camões às 19 horas em Lisboa. Uma concentração em solidariedade com o governo e o povo gregos, contra a austeridade. “Somos solidários com os gregos porque acima de tudo defendemos a democracia e a dignidade”.
Passos Coelho mente
Para terminar, Catarina Martins comentou as recentes declarações do primeiro-ministro que negou ter aumentado o IVA, ter feito cortes no rendimento dos mais pobres, de ter convidado os portugueses a emigrarem.
“O primeiro-ministro afirma que não aumentou o IVA da restauração e das tarifas da eletricidade, como toda a gente recorda e cujas consequências todos têm vindo a pagar”. Diz que “alterou a composição dos cabazes do IVA”. Mas as pessoas que pagam as tarifas da eletricidade e vão a qualquer restaurante sabem que aumentou sim o IVA e que todos os dias pagam esse mesmo aumento que o primeiro-ministro disse não existir.
Por mais eufemismos artificioso que o primeiro-ministro use, sublinhou Catarina Martins, ele mente quando nega ter aumentado o IVA, ou quando nega ter cortado no rendimento dos mais pobres, ou quando diz que nunca convidou as pessoas a emigrar.