Com poucos avanços face à intransigência do Governo na frente negocial, a luta dos professores prossegue esta semana com mais duas greves: na quinta-feira, dia 2, nas escolas dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda e Coimbra; e na sexta, 3 de março, em Leiria, Castelo Branco, Portalegre, Santarém, Lisboa, Setúbal, Beja, Évora e Faro.
A decisão do colégio arbitral de decretar serviços mínimos para esta paralisação foi recebida com estranheza pela frente que junta os sindicatos ASPL, FENPROF, FNE, PRÓ-ORDEM, SEPLEU, SINAPE, SINDEP, SIPE e SPLIU. "Estranha porque, por um lado, o Ministério da Educação havia desistido do pedido de serviços mínimos; estranha porque, segundo o Acórdão aprovado apenas por maioria, a decisão de decretar serviços mínimos não decorre destas greves, mas de outras às quais estas nove organizações são alheias", referem os sindicatos em comunicado.
Os sindicatos vão contestá-los em tribunal com ações cautelares separadas e com uma ação conjunta em tribunal "para que estes serviços mínimos sejam declarados ilegais, tal como aconteceu em 2018". Caso não consigam suspendê-los, apelam aos professores a que se limitem ao estrito cumprimento desses serviços e se identifiquem com autocolantes a indicarem que estão em greve a fazer os serviços mínimos. A par das greves de quinta e sexta-feira, os sindicatos apelam à realização de concentrações à porta das escolas.
A decisão de impor serviços mínimos a estas greves foi um dos fatores que levaram os sindicatos a antecipar a manifestação de Lisboa para o próximo sábado, dia 4 de março, o mesmo dia da do Porto. Na capital, a partir das 15h30, os professores concentram-se no Rossio e desfilam até à Assembleia da República. À mesma hora, no Porto, a concentração é na Praça do Marquês com desfile até à Avenida dos Aliados.
Outro fator a pesar na decisão foi o teor da última reunião negocial com o Ministério. Além de se manterem "alguns dos aspetos mais contestados do diploma de concursos", os sindicatos dizem que o Governo "não aceitou calendarizar negociações sobre a recuperação do tempo de serviço, a eliminação das vagas e das quotas, a aprovação de um regime específico de aposentação, a regularização dos horários de trabalho ou a revisão urgente do regime de mobilidade por doença, entre outros assuntos". Neste cenário, prometem que a luta "não irá parar".