Esta quarta-feira é dia de greve nacional de professores e educadores que será acompanhada por uma manifestação em frente ao Ministério da Educação pelas 15 horas. A data não foi escolhida ao acaso: é o dia em que o ministro da Educação vai à Assembleia da República apresentar um orçamento para o setor que “deixa os professores para trás”.
A jornada de luta, convocada por vários sindicatos, entre os quais a Fenprof, pretende assim, de acordo com esta federação, exigir “respeito e um orçamento que responda aos problemas” e faz-se, ao mesmo tempo, contra a desvalorização da carreira e dos salários, a desproteção face à doença e a precariedade.
A estrutura sindical convoca os docentes para a luta face a um quadro em que estes “andam cansados, indignados, sentem-se desconsiderados, fartos de ser discriminados, percebem-se injustiçados, mal avaliados e, com as vagas, as quotas e o roubo de tempo de serviço estão a ser maltratados”.
Em causa está “mais uma forte perda de salário real”. Os professores criticam o facto de não terem sido incluídos no aumento extraordinário de 104 euros aos técnicos superiores, “apesar de a sua carreira, desde 1986, estar em paridade com a técnica superior”, e de os seus salários só serem aumentados “na ordem dos 2% depois de um ano com 8 a 9% de inflação e para um ano em que a inflação será superior a 5%”.
Por outro lado, o governo “continua a não querer contar integralmente o tempo de serviço cumprido”. E pretende-se ainda regularização dos horários, um regime de aposentação justo no tempo e no valor da pensão e um novo regime específico da mobilidade por doença.
O dirigente da organização, Mário Nogueira, em declarações ao Correio da Manhã, diz que “tudo o que for aumentos abaixo de 10% é um roubo”. É que mesmo que o aumento fosse desta envergadura perderiam ainda assim poder de compra uma vez que, na última década, o seu salário ficou 14% a baixo dos aumentos de preços. Comparado com o aumento da habitação a redução do poder de compra é ainda maior: 20%.
Sobre o Orçamento do Estado declara que o ministro João Costa vai “defender o indefensável, face à redução de 600 milhões de euros para a Educação”.
Para além da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), convocam esta paralisação a Federação Nacional da Educação (FNE), o Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (SINDEP), a Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) e o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU).