Entre 40 e 50 professores da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra têm as carreiras estagnadas, não conseguindo progredir. O mesmo sucede com muitos outros professores do ensino superior politécnico do país, mas os desta escola decidiram fazer uma greve que já dura desde o início do mês e que tem abrangido a altura dos exames.
Ao Jornal de Notícias, Miguel Viegas, do Sindicato dos Professores da Região Centro, diz que para que a situação se resolva só falta um despacho do Governo. A estrutura sindical pertencente à Fenprof diz que “a situação está a avolumar e a atingir proporções inquietantes” e que “há um risco sério de não estar resolvida antes das férias e, em agosto, a escola fecha”.
António Amaral, presidente da ESEnfC, explica ao mesmo jornal que a lei “obriga as instituições de Ensino Superior à progressão dos professores que em duas avaliações sucessivas tenham a menção máxima”. Os montantes “devem estar em linha com o disposto num despacho anual e conjunto entre o Ministério do Ensino Superior, das Finanças e da Administração Pública”. Só que “este despacho nunca ocorreu e o entendimento das tutelas até ao momento foi sempre no sentido de que sem o despacho só são possíveis as progressões nos excelentes”. Sem o despacho, os docentes ficam numa situação desigual face às regras aplicadas às restantes carreiras da Administração Pública.
O dirigente da instituição avalia como “legítimo o descontentamento dos professores” e diz que contactou a tutela, assim que tomou posse, em setembro de 2022, “questionando sobre a situação e a sua gravidade e injustiça”. Foi decidido um novo calendário de avaliação mas depois disso a greve, que tinha sido marcada até 3 de julho, foi estendida até ao final desse mês.
Segundo ele, terão sido afetados cerca de 350 estudantes” com muitos a terem ficado sem fazer várias provas. As contas do SPRC apontam para 950 exames não realizados.
Na terça-feira, dezenas de estudantes manifestaram-se por causa disso respondendo a uma convocatória da Associação de Estudantes. O jornal As Beiras indica que foram entoadas palavras de ordem como “acabem com a greve” e “estudantes merecem respeito, avaliações são o nosso direito” e cita as palavras de Francisca Lopes, vice-presidente da direção do organismo estudantil que diz que o que se passa “acaba por ser uma desvalorização da nossa profissão e da nossa entrada no mercado de trabalho. Somos a escola que coloca mais enfermeiros no mercado de trabalho e isso está a ser desvalorizado”.
Sentem-se injustiçados porque a sua “é a única escola afetada” e referem que há “um cenário de incerteza e insegurança” sem haver “nenhuma declaração oficial ou proposta de solução para minimizar as atuais consequências desta greve”. Em comunicado enviado à Lusa, sublinham que o seu protesto “não é contra a causa dos excelentíssimos docentes” que dizem ser “digna e plausível”.