Produção industrial cai 8,2% em Espanha e 2,2% na Alemanha

07 de junho 2012 - 16:22

Uma vez mais se confirma que a estratégia de austeridade económica indiscriminada para resolver a crise da zona euro foi um fracasso total que está a afundar toda a Europa. Por Marco Antonio Moreno, El Blog Salmón

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A produção industrial da Alemanha também está em declive, e assim o demonstra a descida de -2,2% informada pelo Ministério da Economia e Tecnologia. Por PPCYL

A austeridade não só não evitou que a dívida continue a aumentar, como também, além disso, como os rendimentos caem, o consumo cai, o investimento cai, e a arrecadação pública cai, o destino final da dívida é o contrário do que se pretende, e continua a aumentar. Como diz o Instituto Nacional de Estatísticas da Espanha, a produção industrial espanhola caiu -8,2% em 12 meses, com acentuadas quedas nos bens de consumo não duradouros (-16,5%) e nos bens de equipamento (-14,9%).

Como cruel paradoxo, e tal como advertimos, a produção industrial da Alemanha também está em declive, e assim o demonstra a descida de -2,2% informada hoje pelo Ministério da Economia e Tecnologia. Estes são os resultados dos planos de austeridade aplicados de forma indiscriminada e sem controlo, que ajudam poderosamente à destruição económica, como está a ficar abertamente demonstrado.

Os dados publicados hoje pelo INE dão conta de uma forte contração económica que está a arrastar a Espanha para um beco sem saída, potenciada pelos balanços inchados da banca e as descomunais perdas financeiras. A queda de -8,2% na produção industrial da Espanha marca um mínimo em quase 20 anos, pois é um dado que não se via desde 1993!

O desenvolvimento da produção espanhola ajustado sasonalmente em sentido amplo (minérios, serviços públicos e manufatura), excluindo a construção, caiu para 78,32 pontos em abril, igualando o nível de meados de 1994. Desde 1990, o máximo histórico foi alcançado em maio de 2007, com 109,58 pontos em plena euforia da bolha imobiliária, o que indica uma descida de -28,53%. Todo um recorde que não faz mais que antecipar-nos que o desemprego vai continuar a aumentar e a espiral da dívida continuará a crescer, dado que o nível de rendimentos não permitirá cumprir todos os compromissos. E como o custo do endividamento está a subir, o estrangulamento económico lançará a economia em queda acentuada.

O que estamos a viver agora é só a ponta do iceberg, dado que o caminho que foi seguido é facilmente reversível e o processo de reconstrução será muito longo. O desemprego juvenil instala-se nos 51,5% e não há opções de futuro. Mais ainda quando se fizeram cortes nos planos de desenvolvimento e investigação quer poderiam dar uma pauta de crescimento para o futuro.

6 de junho de 2012