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Primeiro dia no Parlamento "confirma a bagunça da direita"

Após o fracasso do acordo entre o PSD e o Chega para eleger Aguiar-Branco Presidente da Assembleia da República, o líder parlamentar do Bloco anunciou o apoio da bancada ao candidato Francisco Assis. À segunda volta nenhum obteve os 116 votos necessários e há nova votação na quarta-feira ao meio-dia.
Fabian Figueiredo
Fabian Figueiredo

O primeiro dia de trabalhos da Assembleia da República ficou marcado pela confusão e acusações de traição nas bancadas da direita. Depois de André Ventura ter confirmado um acordo entre as lideranças das bancadas parlamentares do PSD e Chega para viabilizarem o nome de Aguiar-Branco para a Presidência da Assembleia e Diogo Pacheco de Amorim para uma das vice-presidências, quando chegou a hora de votar para Presidente faltaram muitos votos.

Aguiar-Branco obteve a pior votação das ultimas décadas, obtendo apenas 89 votos a favor, bem longe dos necessários 116 que correspondem à maioria dos mandatos. Em branco votaram 134 parlamentares, enquanto sete optaram pelo voto nulo.

Contas feitas à dimensão das bancadas dos partidos da direita, não foi difícil perceber qual é que faltou à chamada. Logo a seguir ao anúncio do chumbo de Aguiar-Branco, o líder do Chega veio acusar dirigentes do PSD e do CDS de se terem desdobrado em declarações a afirmar que não havia acordo com o Chega nas horas anteriores à votação. Reunidos os líderes parlamentares, fixou-se o prazo para a apresentação de novas candidaturas até às 20h. E apresentaram-se três: Aguiar-Branco, que entretanto tinha visto o PSD retirar a sua candidatura, voltou a apresentar-se; Francisco Assis, por parte do Partido Socialista; e Manuela Tender, ex-deputada do PSD agora eleita pelo Chega. A votação obrigou a uma segunda volta entre os dois candidatos mais votados: Francisco Assis (90 votos) e .Aguiar-Branco (88 votos). A candidata do Chega obteve 49 votos e dois deputados votaram em branco.

Na segunda volta, Assis e Aguiar-Branco obtiveram os mesmos votos da primeira, com 52 votos brancos. Os partidos decidiram abrir novo prazo de candidaturas até às 11h da manhã de quarta-feira, com novo penário de votação marcado para o meio-dia.

"Dissemo-lo durante a campanha eleitoral e hoje fica confirmado: a direita é a confusão, a bagunça. Não conseguiram sequer que um acordo para uma maioria para a Mesa fosse aprovado na Assembleia da República, afirmou o líder parlamentar do Bloco aos jornalistas ao final da tarde, perto do fim do prazo de apresentação de candidaturas.

Neste cenário, prosseguiu Fabian Figueiredo, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda "irá votar favoravelmente a candidatura anunciada pelo deputado Francisco Assis, contribuindo dessa forma para que o Parlamento tenha ainda hoje um Presidente", uma vez que "as pessoas esperam que seja encontrada uma solução que possa garantir que a instalação do Parlamento fica concluída".

"No que depender do Bloco de Esquerda haverá um Presidente da Assembleia da República", assegurou Fabian Figueiredo. Da mesma forma que "votaremos contra qualquer candidato da direita, os nossos votos juntar-se-ão as votos de todos os deputados que querem que hoje haja uma solução". Assim, "no que depender dos votos do Bloco, Francisco Assis será o próximo Presidente da Assembleia". Esta seria uma solução que não teria "nada de inovador ou de estranho", pois PS e PSD "têm o mesmo número de deputados e já aconteceu no passado o Presidente da Assembleia da República não ser da coligação mais votada, concluiu.


Notícia atualizada às 23h15 com os resultados da segunda volta.

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