Presos palestinianos cumprem 15º dia de greve de fome

01 de maio 2017 - 22:30

Em Jerusalém, o protesto de solidariedade com os 1500 presos em greve de fome nas cadeias israelitas foi reprimido pelas forças da ocupação.

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Concentração de solidariedade com os presos em greve de fome foi imediatamente reprimida em em Jerusalém.

A greve de fome lançada no dia 17 de abril por milhares de presos palestinianos, em defesa de direitos fundamentais como o acesso a cuidados médicos, a visitas de familiares e ao fim do regime de solitária e das prisões sem acusação nem julgamento, cumpriu neste 1º de Maio o seu 15º dia com mais de 1500 presos a prosseguir o protesto.

A repressão aos presos em greve de fome tem sido comum a muitas prisões israelitas, com as forças israelitas a negarem visitas de advogados e familiares destes presos, o isolamento dos presos considerados dirigentes do protesto, ou a transferência contínua de muitos grevistas de prisão em prisão.

Segundo um dos responsáveis da ligação dos grevistas à imprensa, citado pela rede de solidariedade Samidoun, os serviços prisionais tentaram criar um canal de comunicação que excluía os líderes da greve, como o histórico Marwan Barghouti, nomeado porta-voz dos membros da Fatah em greve de fome. Mas os restantes dirigentes da greve, como Karim Younes, o palestiniano com o maior número de anos consecutivos na cadeia, recusaram-se a negociar se Barghouti fosse excluído.

Em Jerusalém, o protesto organizado por um grupo de jovens palestinianos junto à Porta de Damasco, exibindo o nome dos presos com mensagens de solidariedade, acabou um minuto depois de começar, com as forças de ocupação israelita a dispersarem a concentração e apreenderem os materiais.

Também em Sebastia, a noroeste de Nablus, os apoiantes dos grevistas da fome foram atacados, desta vez com gás lacrimogéneo, na noite de domingo. As ações de apoio e solidariedade multiplicaram-se nos territórios ocupados, com as comemorações do 1º de Maio a integrarem esta luta nas suas mensagens. O mesmo aconteceu em vários países por todo o mundo.

A Missão do Estado da Palestina nas Nações Unidas também aproveitou o 1º de Maio para divulgar a 610ª carta enviada aos altos responsáveis da ONU acerca da ilegalidade da construção dos colonatos e da situação dos 1600 presos em greve de fome. A carta enviada a 28 de abril denuncia a repressão do sistema prisional israelita aos grevistas e as palavras de um ministro israelita que afirmou que o governo de Telavive deve ser firme quanto a este protesto, “mesmo que isso signifique deixar os presos morrerem”.  Do lado israelita, o governo declarou que a greve de fome perdeu força, contabilizando esta segunda-feira 870 presos em greve de fome.