A greve de fome lançada no dia 17 de abril por milhares de presos palestinianos, em defesa de direitos fundamentais como o acesso a cuidados médicos, a visitas de familiares e ao fim do regime de solitária e das prisões sem acusação nem julgamento, cumpriu neste 1º de Maio o seu 15º dia com mais de 1500 presos a prosseguir o protesto.
A repressão aos presos em greve de fome tem sido comum a muitas prisões israelitas, com as forças israelitas a negarem visitas de advogados e familiares destes presos, o isolamento dos presos considerados dirigentes do protesto, ou a transferência contínua de muitos grevistas de prisão em prisão.
Segundo um dos responsáveis da ligação dos grevistas à imprensa, citado pela rede de solidariedade Samidoun, os serviços prisionais tentaram criar um canal de comunicação que excluía os líderes da greve, como o histórico Marwan Barghouti, nomeado porta-voz dos membros da Fatah em greve de fome. Mas os restantes dirigentes da greve, como Karim Younes, o palestiniano com o maior número de anos consecutivos na cadeia, recusaram-se a negociar se Barghouti fosse excluído.
Em Jerusalém, o protesto organizado por um grupo de jovens palestinianos junto à Porta de Damasco, exibindo o nome dos presos com mensagens de solidariedade, acabou um minuto depois de começar, com as forças de ocupação israelita a dispersarem a concentração e apreenderem os materiais.
#Palestine #Video Jerusalem: Israeli occupation attacks Hunger Strike solidarity protest one minute after it started https://t.co/OjlPXGveEp
— Palestine Video (@PalestineVideo) May 1, 2017
Também em Sebastia, a noroeste de Nablus, os apoiantes dos grevistas da fome foram atacados, desta vez com gás lacrimogéneo, na noite de domingo. As ações de apoio e solidariedade multiplicaram-se nos territórios ocupados, com as comemorações do 1º de Maio a integrarem esta luta nas suas mensagens. O mesmo aconteceu em vários países por todo o mundo.
A Missão do Estado da Palestina nas Nações Unidas também aproveitou o 1º de Maio para divulgar a 610ª carta enviada aos altos responsáveis da ONU acerca da ilegalidade da construção dos colonatos e da situação dos 1600 presos em greve de fome. A carta enviada a 28 de abril denuncia a repressão do sistema prisional israelita aos grevistas e as palavras de um ministro israelita que afirmou que o governo de Telavive deve ser firme quanto a este protesto, “mesmo que isso signifique deixar os presos morrerem”. Do lado israelita, o governo declarou que a greve de fome perdeu força, contabilizando esta segunda-feira 870 presos em greve de fome.
610th letter sent to @UN on illegal #Israeli settlements & #Palestinian political prisoner hunger strike #مي_وملح https://t.co/SJhFwOZovZ pic.twitter.com/ZiU0sI8fDn
— State of Palestine (@Palestine_UN) May 1, 2017