Segundo o último Inquérito às Condições de Vida e Rendimentos, compilado pelo Instituto Nacional de Estatística, o risco de pobreza em Portugal diminuiu de 16,6% para 15,4% entre 2023 e 2024, um mínimo histórico. Mas entre as crianças e jovens esse recuo foi de apenas 0,2 pontos percentuais, de 17,8% para 17,6%. Cerca de 300 mil crianças encontravam-se em situação de pobreza no ano passado. O grupo dos adolescentes entre os 12 e os 17 anos representa 40% das crianças em situação de pobreza e é o mais atingido, com 19,2% nessa situação.
Em declarações ao Público, o investigador Carlos Farinha Rodrigues, autor do estudo “Portugal Desigual”, que a Fundação Francisco Manuel dos Santos desenvolve desde 2016, chama a atenção para a importância da escola enquanto ferramenta de combate à pobreza, ao apontar que “a taxa de pobreza é quase quatro vezes superior quando os pais têm apenas o ensino básico”. Nestes casos a pobreza das crianças atinge 34,3%, enquanto entre os filhos de pais com ensino superior ela é de 8,9%.
Além de medidas dirigidas a estes menores, que passam pelo apoio na escola, saúde e integração social, são também necessárias medidas para o conjunto das suas famílias poderem aumentar os seus rendimentos. Sem ambas, “não será possível quebrar a transmissão intergeracional da pobreza”, conclui Carlos Farinha Rodrigues.
Três em cada quatro crianças em situação de pobreza estão em famílias que têm o trabalho como principal fonte de rendimento. E no período analisado foram as famílias monoparentais que mais viram subir o seu rico de pobreza, ficando essa taxa acima dos 35%. As crianças com nacionalidade estrangeira são também mais atingidas, com a taxa de pobreza a superar os 38%, mais do dobro dos 15,8% entre crianças com pais portugueses.