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Portugal é o sexto país europeu mais exposto à poluição dos navios de cruzeiro

Lisboa foi a cidade portuária com maior tráfego de navios de cruzeiro em 2017 e é a sexta cidade europeia mais exposta à poluição destes navios, revela um estudo divulgado nesta sexta-feira pela associação ambientalista Zero.

A Zero divulgou um estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), de que a associação ambientalista faz parte.

O estudo faz a avaliação das emissões de diferentes poluentes, nomeadamente dos óxidos de enxofre e dos óxidos de azoto, pelos navios de cruzeiro. Na cidade de Lisboa, as emissões dos óxidos de azoto representam um quinto do total das emissões dos veículos que circulam na cidade.

Francisco Ferreira, presidente da Zero, denuncia: “Os navios de cruzeiro de luxo são verdadeiras cidades flutuantes alimentadas por alguns dos combustíveis mais poluentes. As cidades estão a restringir a circulação dos veículos a gasóleo, mais poluentes, mas as autoridades locais estão a dar total liberdade às empresas de cruzeiros para continuarem a emitir gases e partículas tóxicas que causam danos imensuráveis na saúde, o que é inaceitável”.

E, propõe: “Precisamos de fazer a transição para combustíveis mais limpos de forma voluntária, e que os governos intervenham e imponham, desde já, limites restritivos de emissão nas suas zonas costeiras, e no médio prazo, limites zero nos portos nacionais”.

A associação alerta que as emissões de óxidos de enxofre pelos navios formam aerossóis de sulfato que aumentam os riscos de doenças cardiorrespiratórias e contribuem para a acidificação em ambientes terrestres e aquáticos.

Portugal é o sexto país europeu mais exposto à poluição por óxidos de enxofre dos navios de cruzeiro, depois de Espanha, Itália, Grécia, França e Noruega.

Lisboa é também a sexta cidade europeia mais exposta, depois de Barcelona, Palma de Maiorca, Veneza, Civitavecchia (Roma) e Southampton.

A Zero destaca que os países apontados, assim como as cidades indicadas, são os mais expostos porque são os principais destinos dos cruzeiros, mas também porque têm limites menos rigorosos nos combustíveis navais.

A associação comparou os dados deste estudo com o inventário oficial de emissões de óxidos de enxofre da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em relação a 2017, e concluiu que “as emissões dos navios de cruzeiro na costa portuguesa foram 86 vezes superiores às emissões da frota automóvel que circula em Portugal”.

A Zero defende que a Europa deve implementar um regulamento a aplicar em todos os portos europeus, com planos para atingir limites de emissão zero nos navios.

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